UOL Notícias Notícias
 
12/08/2010 - 15h12

Atentado com carro-bomba deixa 9 feridos, muitos danos e comoção em Bogotá

Miriam Burgués.

Bogotá, 12 ago (EFE).- O atentado com carro-bomba contra o conjunto de edifícios que abrigam a "Caracol Radio" e a "Agência Efe", na zona financeira de Bogotá, deixou hoje nove feridos e inúmeros danos materiais, além de gerar uma grande comoção entre os colombianos seis dias depois da posse do novo presidente Juan Manuel Santos.

As autoridades investigam quem pode estar por trás deste atentado, cometido com um carro-bomba que continha 50 quilos de explosivo anfo (produzido pela mistura de combustíveis líquidos), já que por enquanto nenhum grupo armado assumiu a autoria do ataque.

A grande explosão ocorreu por volta das 5h30 local (7h30 de Brasília), quebrou vidros de janelas de vários edifícios da área, onde há muitos escritórios e casas, e deixou um buraco em uma das principais ruas de Bogotá, a Sétima Avenida, como constatou a Agência Efe.

Fontes policiais informaram que os terroristas usaram para cometer o atentado um automóvel Chevrolet Swift 1994 de cor cinza, carregado com 50 quilos de explosivo anfo, que, aparentemente, teria sido ativado por meio de um celular.

O atentado ocorre apenas seis dias depois da posse de Juan Manuel Santos como presidente da Colômbia, quem imediatamente foi ao local da explosão para receber as informações da Polícia, que não descarta nenhuma hipótese sobre o atentado.

Diante dos jornalistas, o líder prometeu não "baixar a guarda" na luta contra o terrorismo.

"Como todo atentado terrorista, o que querem é perturbar, causar medo na população. Não vão conseguir, pelo contrário. Isso nos lembra que não podemos baixar a guarda, o país deve ficar absolutamente tranquilo", disse Santos.

O presidente também confirmou que, "felizmente", não há mortos. Segundo ele, os edifícios atingidos, que abrigam ao todo mais de mil prédios entre estabelecimentos comerciais, escritórios e apartamentos, sofreram danos materiais, mas "não estruturais".

Nove pessoas foram atendidas pelos serviços médicos após a explosão, segundo o secretário de Saúde de Bogotá, Héctor Zambrano, segundo quem três delas devem ser levadas ao hospital com ferimentos consideráveis.

O caso mais grave é de uma mulher de 31 anos, faxineira de uma barbearia situada em frente ao local da explosão, que tem lesões no rosto por estilhaços de bomba.

A explosão não provocou uma tragédia maior porque no momento quase não havia gente na rua e os escritórios ainda não tinham aberto. A tragédia deixa os cidadãos de Bogotá comovidos, pois desde outubro de 2006 não havia um atentado a bomba na cidade.

As autoridades tentam descobrir agora se o atentado pretendia assustar os meios de comunicação, em particular a "Caracol Radio", cujas instalações foram destruídas.

Nem o pessoal da "Agência Efe" em Bogotá nem suas instalações, situadas no complexo de edifícios atingido, sofreram danos por causa da potente explosão.

Nos dois escritórios da Agência Efe em Bogotá trabalham mais de 40 pessoas, a maioria jornalistas.

A partir de Bogotá são editadas informações para América que são produzidas nos escritórios do continente, em texto, fotografias e vídeos. No piso superior fica a equipe que produz conteúdo sobre a Colômbia.

A Efe fica em um dos anexos do edifício onde está a "Caracol Radio", no qual também há um escritório o ex-presidente César Gaviria e filiais dos bancos Bancolombia e BBVA.

Quem estava no prédio principal era o jornalista Darío Arizmendi e sua equipe que fazia o programa matutino da "Caracol Radio".

Arizmendi viveu exilado em Miami durante vários meses em 2007 e passou temporadas na Espanha após receber ameaças da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

As reações de condenação ao atentado surgiram imediatamente tanto na Colômbia - de parte do escritório da ONU, políticos, associações de jornalistas e de todo o Governo - como no exterior.

"Nós colombianos podemos ficar tranqüilos. O que os terroristas buscam é criar alvoroço, alterar a normalidade e nossa resposta não pode cair nesse jogo e nessa armadilha", disse aos jornalistas o ministro da Defesa, Rodrigo Rivera, pouco depois de Santos também pedir tranquilidade aos cidadãos.

O Governo da Venezuela expressou repúdio ao atentado e se solidarizou com o Governo e o povo do país vizinho.

"O povo e o Governo venezuelanos repudiam da maneira mais enérgica este ato terrorista contra o povo irmão da Colômbia e contra seu forte desejo de viver em paz", indicou um comunicado da Chancelaria da Venezuela.

O Executivo do presidente Hugo Chávez, "em nome do povo venezuelano", expressou também "sua solidariedade com o povo e o Governo da República da Colômbia", e formulou "votos pelo esclarecimento em breve desses lamentáveis fatos".

O procurador-geral da Colômbia, Guillermo Mendoza Diago, designou um funcionário especializado da União Nacional contra o Terrorismo para que inicie a investigação do atentado.

Por sua vez, o prefeito de Bogotá, Samuel Moreno, convocou um conselho extraordinário de segurança para analisar as informações sobre a explosão, bem como elaborar medidas para reforçar a proteção aos meios de comunicação.

A área onde estava o carro-bomba e seus arredores permanece interditada, tal como a Sétima Avenida, uma das principais vias de Bogotá, o que mantém conturbado o trânsito em boa parte da cidade.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host