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16/08/2010 - 11h17

Ecologistas denunciam ocultação de informações sobre incêndios na Rússia

Moscou, 16 ago (EFE).- As áreas de florestas afetadas pelos incêndios em toda a Rússia se reduziram nas últimas 24 horas em pouco mais de 7.500 hectares, informou hoje o Governo, enquanto ecologistas acusam as autoridades de ocultar a magnitude do desastre natural.

Às 6h locais de hoje (23h de domingo no horário de Brasília), havia um total de 494 incêndios florestais, que abrangiam uma superfície de 45.886 hectares. No dia anterior, a área castigada era de 53.527 hectares, segundo o boletim do Ministério para Situações de Emergência da Rússia.

As autoridades comunicaram que hoje foram controlados todos os incêndios que ameaçavam alcançar o Centro Nuclear Federal de Sarov, na região de Nizhni Novgorod, uma das mais castigadas pelo fogo.

"O reconhecimento aéreo mostrou hoje que a situação é estável em sua maior parte e controlável. Não há fogo em Sarov", disse o chefe do departamento de Emergência local, Igor Panshin, citado pela agência "Interfax".

O Centro de Sarov se encontra em uma reserva natural dividida pela região de Nizhni Novgorod e a república da Mordóvia.

O jornal "Trud" divulgou hoje denúncias de ecologistas que acusam as autoridades russas de ocultar informação, em particular sobre o perigo que podem representar os incêndios nas florestas contaminadas pela explosão da usina nuclear de Chernobil, em abril de 1986.

Segundo o diário, na sexta-feira passada foi fechado o site da Roslesozaschita, a agência governamental de proteção florestal, que tinha publicado informações sobre os incêndios na região de Bryansk, a mais contaminada pelo desastre de Chernobil.

Os dados da Roslesozaschita mostravam que a área atingida pelas chamas era muito mais ampla que a assinalada pelo Ministério de Emergência.

A ecologista Lyudmila Kolmogortseva, deputada da Assembleia Legislativa de Bryansk, advertiu que a situação na região é sumamente perigosa, pois há cerca de um milhão de metros cúbicos de madeira contaminada.

"Não gosto quando as autoridades fingem que nada está acontecendo. Não se pode dizer que está tudo bem, pois sabemos que não é assim", enfatizou a deputada regional, em declarações ao "Trud".

Segundo Lyudmila, no ano passado, após os incêndios florestais em Bryansk, foi duplicado o nível de radiação na cidade de Smolensk, a 300 quilômetros dos focos.

"Se (em Bryansk) os incêndios florestais começaram com determinada direção do vento, a nuvem radioativa alcançará a capital de nosso país ao meio dia", advertiu a deputada.

Uma fonte da organização ambientalista Greenpeace disse que a situação em Bryansk é alarmante: "Não há gente, não há equipes, não há roupa adequada".

O ativista disse que há cinco anos as autoridades regionais solicitaram ao Governo federal 300 milhões de rublos (US$ 10 milhões) para adquirir equipamentos contra os incêndio florestais, mas só receberam 15% do total.

"Com esses recursos foram comprados 15 veículos, mas para a região Bryansk isso é uma gota no oceano", acrescentou.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, inspecionou hoje os trabalhos de extinção dos incêndios florestais nos arredores de Moscou.

Na semana passada, o chefe do Governo anunciou que seria destinado um total de 300 milhões de rublos (US$ 10 milhões) para as tarefas de extinção do fogo nas imediações da capital.

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