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17/08/2010 - 12h19

Enchentes deixam milhares de doentes por contaminação da água no Paquistão

Igor G. Barbero.

Islamabad, 17 ago (EFE).- As organizações humanitárias, centradas em amenizar o drama sanitário gerado pelas enchentes no Paquistão, advertiram hoje que centenas de milhares de pessoas contraíram doenças ligadas à contaminação da água e que o número de mortos no país pode aumentar.

"Já há mortes. Podemos confirmar que há surtos de epidemias", disse hoje à Agência Efe o coordenador de emergências do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Paquistão, Óscar Butragueño.

A imprensa local informou nos últimos dias a morte de dezenas de pessoas, sobretudo de crianças, por tétano, gastrenterite ou problemas respiratórios.

Uma fonte da ONU disse hoje à Efe, sob a condição de anonimato, que foram detectados casos de cólera em pelo menos 20 pacientes, mas que o Governo paquistanês continua reticente em admitir os fatos.

"Vinte casos de cólera não é nada, há muitos mais", disse à Efe após uma entrevista coletiva o diretor no Paquistão da Organização Mundial da Saúde (OMS), Guido Sabatinelli.

Ele justificou o silêncio das autoridades alegando que eles "têm sua política" neste âmbito.

"Os casos de diarreia aguda estão sendo tratados como se fossem cólera. Não estamos buscando confirmação, a cólera é endêmica no Paquistão", acrescentou.

O representante da OMS alertou que a situação é "muito perigosa", que "o problema aumentará quando a água recuar" e que, por isso, devem ser registradas mais mortes. Nesse sentido, Sabatinelli defendeu reforçar a prevenção.

Até o momento foram detectados pelo menos 87.761 casos de diarreia aguda, 83.050 de doenças respiratórias e 113.045 de doenças cutâneas, como a sarna, segundo dados divulgados pela ONU.

"As pessoas não têm outro tipo de roupa, passam muitos dias seguidos com as peças molhadas", se lamentou o porta-voz do Unicef, que acrescentou que há risco de que surjam também casos de sarampo, pólio ou malária.

Em comunicado, o diretor do Unicef no Paquistão, Martin Mogwanja, ressaltou que "o fornecimento de água potável e saneamento adequado é importante para a sobrevivência de milhões de pessoas afetadas pelas inundações".

"Se não formos capazes de fazê-lo, por falta de fundos, as doenças transmitidas pela água, como a cólera, a diarreia ou a disenteria, começarão a se estender e fazer mais vítimas entre a população, especialmente entre crianças, já fracas e vulneráveis às doenças e à desnutrição", disse Mogwanja.

No entanto, as agências humanitárias conseguem chegar apenas a uma pequena fração dos desabrigados. A catástrofe destruiu ou danificou 1.167 centros médicos e deixou centenas de milhares incomunicáveis em diversas áreas do país, especialmente no norte.

As cheias do rio Indo e de seus afluentes causou um cenário de destruição ao longo de mais de mil quilômetros, do norte ao sul do Paquistão e em todas as suas províncias.

Segundo dados da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA), 893 mil imóveis foram destruídos ou danificados, deles 5.500 escolas, enquanto outros cinco mil centros educativos servem de abrigo para parte dos 20 milhões de afetados.

A tragédia já deixou cerca de 1.400 mortos, segundo as autoridades paquistanesas, embora outras fontes como a ONU elevem o número para mais de 1.600.

E a crise está longe de ter um fim. Três represas na região central do país suportam um alto nível de água no momento e, embora no norte as águas tenham retrocedido, para os próximos dias ainda há previsão de chuvas, disse hoje à Efe o porta-voz da NDMA Ahmad Kamal.

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