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17/08/2010 - 21h46

Focos de incêndio dobram em relação a 2009

Rio de Janeiro, 17 ago (EFE).- O Brasil registrou ao longo deste ano 30.825 focos de incêndios florestais, o dobro dos 15.228 contabilizados no mesmo período do ano passado, segundo números divulgadas hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Apenas nesta terça-feira, os satélites e sensores do INPE registravam cerca de 13,5 mil focos de fogo em todo o país, principalmente na Amazônia e nos estados do Centro-Oeste.

Os incêndios - que atualmente ameaçam várias reservas ambientais na Amazônia, parques florestais e até cidades - dobraram este ano devido à menor incidência de chuvas e às temperaturas mais elevadas, diz o organismo.

Segundo Alberto Setzer, coordenador da divisão de Vigilância de Incêndios do INPE, além da seca prolongada e da falta de chuvas que transformam a vegetação em alvo fácil das chamas, a baixa umidade relativa do ar e as elevadas temperaturas também facilitaram a propagação dos incêndios.

Tanto as autoridades ambientais como os bombeiros em todo o país estão em estado de alerta devido ao surgimento diário de novos focos de incêndio e às dificuldades para combater as chamas já propagadas.

Na semana passada, um incêndio destruiu 17 empresas madeireiras e uma centena de casas na cidade de Marcelândia, no Mato Grosso, assim como fazendas e parques florestais no Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais.

O fogo também destruiu cerca de 25 mil hectares de vegetação no Parque Nacional das Emas, em Goiás.

"O ano passado a região central do Brasil chegou a ter 10 milímetros de chuva em agosto, mas este ano não caiu nenhuma gota. Em algumas regiões de Minas Gerais, Goiás e Tocantins também não chove há mais de três meses", afirmou Setzer em declarações citadas pela "Agência Brasil".

O especialista também atribuiu o aumento dos focos de incêndio ao momento de crescimento da economia brasileira, que leva os agricultores a fazer queimadas para aumentar as áreas de plantio. Esses incêndios provocados acabam saindo do controle e consumindo amplas extensões, acrescentou.

"Além disso, por ser um ano eleitoral, a fiscalização não está sendo feita como deveria", criticou o especialista, para quem a maioria dos atuais incêndios pode ter sido provocada intencionalmente.

De acordo com Setzer, os incêndios naturais ocorrem principalmente em períodos de chuva, e não de seca como o atual, já que são iniciados por raios, e não ameaçam tantas áreas porque a vegetação está úmida.

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