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17/08/2010 - 17h10

Foro de São Paulo começa em Buenos Aires com apoio a Zelaya

Buenos Aires, 17 ago (EFE).- O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya obteve hoje em Buenos Aires o apoio do Foro de São Paulo, que pediu a restituição do líder deposto no Governo de seu país, no primeiro dia do 16º encontro do grupo, com a participação de dirigentes de esquerda de 33 países da América Latina e do Caribe.

"O fórum rejeita o golpe (que derrubou o ex-presidente), rejeita o Governo (de Porfirio Lobo), eleito em uma situação de ilegitimidade, e reconhece Zelaya", disse o dirigente do PT Valter Pomar, em qualidade de moderador da reunião, que começou na capital argentina com a presença de Zelaya.

Dirigentes de vários de países da região somaram seu apoio ao presidente deposto e pediram "um plano para fazer frente à ofensiva dos Estados Unidos", que "apoiou as eleições ilegítimas" de Honduras.

"Nosso país sofre as inclemências da ascensão ao poder de uma oligarquia criminosa", assegurou Zelaya, que considerou, além disso, que o Brasil "salvou sua vida" quando foi abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, depois de sua deposição por um golpe militar em junho de 2009.

Zelaya, que vive exilado na República Dominicana, também acusou os EUA de terem apoiado as eleições "fraudulentas" que levaram Lobo ao poder em novembro do ano passado e nas quais "apenas 30%" do eleitorado votou.

Além disso, ele denunciou a existência em seu país "de repressão, tortura e morte" com "uma lógica de terrorismo de Estado para que o povo não possa se organizar" e advertiu sobre o "dano" gerado na região "pelo modelo neoliberal e pelo Consenso de Washington".

Zelaya lembrou também que na posse de Michelle Bachelet como presidente do Chile, em 2006, ele se aproximou ao líder venezuelano, Hugo Chávez, para pedir sua cooperação frente a um "boicote" que enfrentava de companhias em Honduras.

"Chávez me disse: 'minha amizade vai te trazer problemas com os gringos e provavelmente te tirarão do Governo'", lembrou.

Além disso, Zelaya insistiu em que o Foro de São Paulo "é uma bela oportunidade para discutir a realidade na América Latina" e reiterou que seu país "tem um simbolismo muito importante para analisar" a situação regional.

O conflito entre Colômbia e Venezuela e a situação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) também serão debatidos na reunião, que termina na sexta-feira, com a aprovação de um documento final.

Segundo o documento base debatido pelos presentes, o conflito entre Bogotá e Caracas responde "ao interesse" dos setores colombianos "mais reacionários" no contexto da "disputa apertada" entre forças populares e a direita sobre os "rumos" na América Latina.

"O fórum é a grande usina de ideias que busca a integração latino-americana. O desafio é consolidar o fato e acender a luz de alarme com o que aconteceu no Chile e no Panamá, onde avançou o neoconservadorismo", disse à Agência Efe o senador uruguaio do governista Frente Ampla Carlos Baráibar.

O documento base do encontro pede a recuperação do "espaço perdido" devido a uma "contraofensiva" da direita que deu frutos em Colômbia, Chile, Panamá e Honduras, enquanto em outras nações, como Bolívia, Equador e Uruguai, foram alcançadas "vitórias importantes" da esquerda.

Para o dirigente do Partido Comunista argentino Jorge Kreyness, um dos coordenadores da reunião, também será "importante debater a crise internacional nos grandes centros como Europa e EUA e a repercussão na América Latina e no Caribe".

"O cataclismo financeiro nos EUA, que se propagou rapidamente para o resto do mundo, não é uma mera crise financeira, mas uma crise do sistema capitalista", mas que "não foi tão aguda na América Latina", segundo o documento base do Foro de São Paulo.

O objetivo do encontro será "ampliar a unidade dos partidos progressistas, populares e de esquerda, aprofundar as mudanças, derrotar a contraofensiva da direita e consolidar a integração regional", segundo seus organizadores.

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