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18/08/2010 - 18h43

Primeiro debate na internet é marcado pela falta de confronto e propostas

Marta Berard
São Paulo, 18 ago (EFE).- Os principais candidatos à Presidência protagonizaram hoje o primeiro debate na Internet, marcado pela ausência de tensão e confronto político; além da falta de profundidade, também não foi possível ver propostas inovadoras que diferenciassem seus programas.

A reunião, organizada pelo jornal "Folha de São Paulo" e pelo portal "UOL", contou com a participação dos três candidatos melhor posicionados nas pesquisas de intenção de voto - Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).

O debate, realizado em um teatro de São Paulo, foi dividido em vários blocos e começou com os candidatos interrogando uns aos outros de forma rotativa.

Marina foi encarregada de abrir o debate. Ela destacou a necessidade de realizar uma reforma política no país e reprovou Dilma por não ter levado a medida a cabo no atual Governo nem no anterior, devido "às alianças políticas" e aos que se "beneficiam de um processo viciado" que vai contra o "interesse público".

A saúde foi um dos temas mais debatidos pelos candidatos, que também falaram da situação da educação no país, que Marina qualificou de "vergonhosa" e assegurou que afeta todos os estados da federação.

Enquanto isso, Serra acusou Dilma de ter "fixação pelo passado" e disse que o PT, quando estava na oposição, votou contra várias medidas que, na sua opinião, foram benéficas para o país.

Serra lembrou que em 1985 o PT votou contra Tancredo Neves, contra a Constituinte de 1988 e contra o plano real de estabilização econômica (1994).

Segundo Serra, no "torneio de quanto pior, melhor" o partido governante "é imbatível, ganha por goleada de qualquer outro partido brasileiro".

"A diferença é que nós reconhecemos que erramos", disse Dilma em sua réplica. A candidata foi escolhida como sucessora pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O momento mais trabalhoso para os candidatos chegou quando começaram as perguntas dos internautas.

Um eleitor disse a Dilma que sua candidatura foi "improvisada", já que chegou depois que outros colaboradores de Lula foram descartados por sua implicação em vários escândalos.

"Comecei lutando contra a ditadura (1964-1985) e depois fui secretária de Fazenda e de Energia no Rio Grande do Sul. O presidente me deu a honra de ser sua ministra de Minas e Energia e depois da Presidência", respondeu Dilma.

"Acho que não sou uma política tradicional, não tive experiência parlamentar, mas tive bastante experiência administrativa no Governo", acrescentou, para concluir que nos últimos três anos "poucas pessoas se submeteram a um escrutínio tão pesado" como o que ela sofreu, frase que arrancou aplausos do auditório.

No mesmo bloco do debate, Serra se defendeu da acusação de representar a elite e destacou sua origem humilde.

"Trabalhei com meu pai (como vendedor de verduras), fui líder estudantil, vivi no exílio, entrei na política, ganhei e perdi eleições. Exerci mandatos como deputado, senador, prefeito, governador e ministro, sempre preocupado com os setores mais pobres da população", disse.

Serra, um pouco mais incisivo durante suas intervenções que Dilma, aproveitou seu discurso final para lembrar os casos de corrupção que em 2005 salpicaram nos principais assessores de Lula, enquanto a candidata governista advogou pela "continuidade" dos programas do Governo.

As pesquisas mais recentes colocam Dilma à frente com entre 41% e 43% das intenções de voto, enquanto Serra tem entre 30% e 32% e Marina entre 8% e 10%.

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