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18/08/2010 - 23h28

Zelaya recomenda a Lobo que aceite recomendações da OEA

Buenos Aires, 18 ago (EFE).- O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya voltou a recomendar ao atual líder hondurenho, Porfirio Lobo, que aceite as recomendações feitas em julho pela Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a crise política do país centro-americano.

"A OEA adotou uma posição muito beligerante em favor da democracia em uma resolução que determina o caminho que Honduras tem que seguir. Um caminho que o chefe de Estado (Lobo) ainda não aceita", disse Zelaya a jornalistas antes de participar de uma sessão do encontro que o Foro de São Paulo realiza em Buenos Aires.

O relatório da comissão de alto nível da OEA sobre Honduras contava com sete pontos, que recomendaram, por exemplo, o fim das ações judiciais interpostas contra Zelaya durante o regime de facto posterior à sua derrocada por um golpe militar em junho de 2009.

O relatório da OEA também reivindicou "ações concretas" ao Governo de Lobo na investigação sobre o aumento de violações de direitos humanos após o golpe, mas não se pronunciou sobre o retorno do país ao organismo, do qual foi suspenso em julho de 2009.

Neste sentido, Zelaya, que vive exilado na República Dominicana, disse que seu retorno a Honduras só vai acontecer se o Governo de Lobo cumprir o que prevê a constituição e as resoluções da OEA.

"Estou pronto para voltar esta mesma noite. O mais compreensível seria que Lobo deixasse de impedir meu retorno", afirmou.

O ex-governante, derrubado quando promovia uma consulta popular para reformar a Constituição (algo que era impedido por lei), é acusado em seu país de suposta falsificação de documentos públicos, dois delitos de abuso de autoridade e fraude em prejuízo da fé e da administração pública.

Zelaya lamentou também o aumento no número de assassinatos e violações de direitos humanos após o golpe, que atribuiu novamente aos "interesses oligárquicos e imperialistas" dos Estados Unidos.

O ex-líder reiterou que sua derrocada foi impulsionada pela CIA e pelo Comando Sul dos Estados Unidos desde a base militar hondurenha de Palmerola.

Além disso, considerou que as "companhias transnacionais norte-americanas" foram beneficiadas pelo golpe de Estado, pois recuperaram os "privilégios que ele tinha tirado de empresas como as petrolíferas Shell, Texaco e Exxon".

Neste sentido, Zelaya explicou que foram canceladas as reformas que ele tinha impulsionado, o que consolidou uma "oligarquia promovida pelos interesses norte-americanos".

O ex-líder lamentou, além disso, que diferentes países europeus que tinham condenado "firmemente" o golpe serão debilitados após as eleições que levaram Lobo ao poder em novembro.

"A União Europeia se esqueceu do golpe ao assinar o acordo comercial com a América Central sem reivindicar a restauração da ordem democrática em Honduras", apontou.

Zelaya também disse que a "causa de Honduras é a causa da América Latina", por isso pediu aos países da região a "se unirem perante o imperialismo".

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