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19/08/2010 - 11h13

Alheia às críticas, França inicia deportação em massa de ciganos

Paris, 19 ago (EFE).- Dois voos regulares de Lyon e Paris com destino a Bucareste transportaram hoje o primeiro grupo de ciganos deportados da França, numa polêmica operação que o Governo de Nicolas Sarkozy justifica argumentando que são europeus, mas imigrantes ilegais.

Escoltados pela Polícia e carregados de malas e pacotes, cerca de 60 ciganos embarcaram em um voo da companhia romena Blue Air que saiu de Lyon, e outro grupo menos numeroso partiu do aeroporto Paris-Charles de Gaulle.

Embora o Governo francês havia cifrado em 79 o número de pessoas a serem deportadas hoje, o Ministério do Interior romeno informou que na verdade serão ao redor de 100.

Os deportados de hoje são apenas os primeiros voos que transportarão os cerca de 700 ciganos que a França espera devolver a Romênia e Bulgária nos próximos dias. Segundo Paris, não se trata de expulsões, mas de repatriações "voluntárias".

Amanhã sairá uma segunda leva e, para a próxima quinta-feira, dia 26, está prevista a terceira, sem que, por enquanto, se tenha informado de onde e em qual horário decolarão os "voos da vergonha", como já foram denominados pela oposição.

"Jogamos eles (nos aviões) e fechamos os olhos. (Isso) não regula nenhum problema", denunciou hoje o presidente do partido dos Verdes no Parlamento Europeu, Daniel Cohn-Bendit. Para ele, é preciso pensar nas condições de vida dos ciganos em seus países de origem.

Sarkozy ignora as críticas internas e também as externas, que estão chegando dos países afetados, Romênia e Bulgária, mas também da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), que já alertou que vai monitorar as expulsões para garantir que a França cumpra as regras de livre circulação.

As autoridades francesas se defendem, argumentando que, apesar de serem cidadãos europeus, os ciganos deportados se instalaram em território francês de forma irregular.

Elas insistem também que eles vão sem ser forçados, baseando-se no chamado programa de ajudas ao retorno, ou seja, com uma passagem aérea e 300 euros por adulto e 100 euros por menor de idade.

Segundo o ministro francês do Interior, Brice Hortefeux, o Governo francês está respeitando todas as normas da União Europeia (UE) nas deportações.

Além disso, Paris argumenta que não há nada de excepcional nesses voos e lembra que já houve outros 25 neste ano e que, no ano passado, foram 44 os voos pelos quais foram expulsos cerca de 10 mil de romanis, ciganos da Europa do Leste.

São números divulgados pelas próprias autoridades francesas, que calculam atualmente cerca de 15 mil membros dessa minoria na França.

O presidente da Romênia, Traian Basescu, mostrou hoje compreensão pela postura da França quanto às deportações, mas destacou que o caso demonstra a necessidade de melhorar em nível europeu a integração social destas pessoas.

"Entendemos a posição do Governo francês. Apoio plenamente o direito de todo cidadão romeno de se movimentar livremente dentro da União Europeia", disse Basescu, em declarações divulgadas pela agência de notícias "Agerpress".

Romênia e Bulgária fazem parte da UE desde janeiro de 2007 mas, como ocorre com qualquer novo estado membro, alguns países mais antigos do bloco aplicam períodos de transição aos novatos, com restrições para os nacionais destes países, fundamentalmente em matéria de trabalho.

No caso da França, o período de transição é até 2012, embora possa ser ampliado por mais dois anos.

Enquanto esse período estiver vigente, romenos e búlgaros podem entrar sem nenhum requisito e lá ficar três meses sem ter de justificar permanência. Mas, a partir desse período, eles podem ser deportados se não tiverem cartão de residência, que só se consegue com contrato de trabalho.

No entanto, não há nenhuma norma que os impeça de voltar à França caso desejem e residir de forma legal durante outros três meses antes de serem novamente deportados.

A maioria deles reside em acampamentos em bairros pobres, alguns sem água nem eletricidade, que estão sendo desmantelados por ordem direta de Sarkozy.

Em 28 de julho passado, o presidente deu instruções ao Governo para destruir a metade desses acampamentos no prazo de três meses.

Em menos de um mês, já são mais de 50 os acampamentos destruídos, os últimos hoje mesmo, um próximo à cidade de Lille (norte da França) e outro no departamento de Isère (sudeste).

A secretária de Estado de Família da França, Nadine Morano, afirmou hoje que os ciganos que habitam em acampamentos ilegais usam suas crianças como "álibi" para evitar as deportações.

As declarações de Morano indignaram várias associações ligadas ao direito à educação e ao asilo como à Rede de Educação Sem Fronteiras (RESF), que acusou a secretária de cair na "demagogia".

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