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19/08/2010 - 21h36

Doadores internacionais se comprometem a aumentar ajuda ao Paquistão

Nações Unidas, 19 ago (EFE).- Os principais doadores internacionais se comprometeram hoje na Assembleia Geral das Nações Unidas a aumentar a ajuda aos desabrigados pelas inundações catastróficas no Paquistão.

Até agora os fundos que chegaram ao país foram insuficientes para enfrentar a magnitude do desastre.

Em reunião especial do fórum das Nações Unidas, os 192 países que formam a organização expressaram sua solidariedade com o povo paquistanês em uma resolução adotada por consenso e pediram o aumento da ajuda internacional aos cerca de 20 milhões de desabrigados pelas chuvas.

As inundações - as piores no território nos últimos 80 anos - causaram, além disso, a morte de 1,5 mil pessoas desde o fim de julho, segundo as autoridades paquistanesas.

Os principais países doadores aproveitaram a sessão para anunciar seus planos de aumentar sua assistência financeira, embora no fechamento da reunião ainda não houvesse um número exato do valor das novas contribuições e se serão suficientes para atender a crise humanitária que o Paquistão vive.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, propôs a realização desta reunião da Assembleia Geral pela crescente preocupação do organismo perante a lenta reação da comunidade internacional ao desastre.

Em sua intervenção, Ban lembrou que o organismo solicitou US$ 460 milhões em ajuda emergencial, dos quais até agora só recebeu a metade.

"Esses recursos fazem falta, e precisamos deles agora. As promessas feitas hoje devem ser seguidas de ações que se traduzam em mudanças reais", afirmou.

Além disso, Ban ressaltou que a magnitude da devastação causada pelas águas fazem deste desastre, que ele chamou de "um tsunami em câmara lenta", uma "grande prova da solidariedade global em nossos tempos".

O secretário-geral da ONU assegurou que entre 15 e 20 milhões de pessoas foram afetadas pelas chuvas, um número superior à soma dos desabrigados pelo tsunami no Oceano Índico em 2004, o terremoto da Caxemira de 2005, o ciclone Nargis em Mianmar em 2008 e o recente terremoto do Haiti, ressaltou.

Além disso, explicou que 8 milhões de desabrigados precisam de alimentos, água e abrigo, enquanto 14 milhões necessitam de atendimento médico, particularmente no caso das crianças e mulheres grávidas.

Frente a situação Hillary Clinton, secretária de Estado dos Estados Unidos - principal aliado estratégico do Paquistão -, anunciou em seu discurso na Assembleia Geral uma doação adicional de US$ 60 milhões ao país.

Ela também divulgou a criação de um Fundo de Ajuda ao Paquistão e convidou empresas e cidadãos americanos a contribuírem.

Com a doação de hoje, a ajuda humanitária americana ao Paquistão soma US$ 150 milhões. Desses US$ 92 milhões foram destinados às agências da ONU e o resto é assistência bilateral, como explicou Hillary.

Ela reconheceu que muitos países, incluindo o seu, atravessam dificuldades econômicas e ajustes orçamentários, mas acrescentou que é preciso responder ao chamado de ajuda do Paquistão.

A maior parte dos oradores que tomou a palavra na reunião de hoje também aproveitou, assim como os EUA, para se comprometer a aumentar sua ajuda às vítimas das inundações.

O ministro de Assuntos Exteriores da Bélgica, Steven Vanackere, país que ocupa a Presidência semestral da União Europeia (UE), disse que os 27 países da comunidade europeia acrescentaram US$ 38 milhões aos US$ 140 milhões que já doaram.

Por sua vez, a Alemanha afirmou que aumentará sua contribuição nacional até chegar aos US$ 32 milhões, a parte das contribuições canalizadas através da UE, enquanto o Reino Unido dobrará sua ajuda até alcançar quase US$ 100 milhões.

O ministro de Assuntos Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, agradeceu a solidariedade da comunidade internacional que se esforça em combater "as piores inundações de monção das que se tem memória".

"A dimensão e a destruição são enormes, grandes demais para que qualquer país em desenvolvimento possa enfrentar sozinho", insistiu Qureshi, que assegurou que um entre cada dez de seus compatriotas ficou na indigência por causa das inundações.

Além disso, lembrou que seu país atuou como "muro de contenção" nos últimos anos de "terrorismo e radicalismo", em referência à luta das forças de segurança paquistaneses contra a Al Qaeda e os talibãs.

"Esta é uma nação que agora olha o mundo em busca de uma mostra similar de solidariedade", acrescentou.

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