UOL Notícias Notícias
 
19/08/2010 - 14h54

Iraque vive incertezas com retirada das tropas de combate dos EUA

Bagdá, 19 ago (EFE).- A população do Iraque vive hoje momentos de incerteza com a saída das últimas tropas americanas do país, onde a violência aumentou nas últimas semanas, embora permaneçam 50 mil soldados americanos apenas para trabalhos de treinamento.

"E agora, o quê?", é o que se perguntam muitos cidadãos iraquianos depois que o último batalhão de combate americano entrou no vizinho Kuwait, procedente do Iraque, às 7h30 (horário de Brasília).

O taxista iraquiano Chamel Abdala, de 43 anos, expressou à Agência Efe suas reservas sobre a retirada das tropas estrangeiras. Ele diz temer a segurança do país.

"O Exército iraquiano não é forte para enfrentar a segurança", assinalou Abdala, quem espera para o Iraque um futuro incerto, dada a ausência de um consenso político.

Nas últimas semanas, a violência recrudesceu com um aumento dos atentados, como o de dois dias atrás num centro de recrutamento do Exército em Bagdá, que deixou quase 50 mortos, em um dos ataques mais mortíferos neste ano.

Para dissipar esses temores, o Governo iraquiano afirmou hoje que as forças de segurança nacionais são capazes de assumir todas as missões.

Em declarações à imprensa, o porta-voz do Executivo iraquiano interino, Ali al-Dabbagh, explicou que a retirada americana aconteceu com o planejamento dos dois Governos e ressaltou que os preparativos dos corpos de segurança do Iraque são suficientes para enfrentar os desafios futuros.

"Escolhemos assumir a missão de manter a segurança do país nós mesmos, sem a necessidade de ajuda de tropas estrangeiras", ressaltou o porta-voz.

No entanto, no último dia 11, o chefe do Estado-Maior iraquiano, general Babakar Zebari, reconheceu que o Exército não estava preparado para assumir todas as missões e que não estaria consolidado até 2020.

Para o especialista em grupos armados Nazem al-Jabouri, as Forças Armadas iraquianas estão mal equipadas porque uma grande parte do dinheiro que o Exército recebeu para gastar em armamento foi perdido por culpa da "corrupção financeira e administrativa".

A isso se soma "a fraqueza" dos dirigentes militares, porque há uma confusão entre a aplicação do sistema americano, em que se baseou a construção do novo Exército, com os procedimentos utilizados durante a época do falecido ditador Saddam Hussein, ressaltou al-Jabouri.

Coincidindo com a retirada, o primeiro-ministro iraquiano interino, Nouri al-Maliki, e o novo embaixador dos Estados Unidos em Bagdá, James Jeffrey, que apresentou ontem seus credenciais, se reuniram hoje na capital, segundo comunicado do escritório do chefe de Governo.

Na reunião, al-Maliki destacou a importância de "reforçar as relações entre Iraque e EUA e de reativar o acordo estratégico em todos os campos para desenvolver os laços comuns".

Al-Maliki se referia ao pacto de segurança assinado em dezembro de 2008 entre os dois países, que estipula a retirada total para fins de 2011.

Jeffrey, por sua vez, reiterou o respaldo dos EUA ao processo político e democrático e aos partidos do Iraque nos esforços para formar um novo Executivo, cuja criação está paralisada desde as eleições parlamentares de 7 de março passado pela falta de consenso entre as coalizões políticas do país.

Apesar da retirada de hoje, nem a Casa Branca nem o Pentágono deram por finalizada a missão no Iraque, fixada para o próximo dia 31.

Segundo a rede de televisão "CNN", a saída das últimas tropas de combate situa o número de soldados americanos no país em 56 mil, mas 6 mil ainda devem deixar o Oriente Médio para cumprir a meta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de encerrar as atividades de combate.

O jovem Haizam Meky, de 17 anos, e residente no bairro de Al Mansur, em Bagdá, não escondeu sua satisfação pela partida dos soldados americanos, que não quer voltar a vê-los "nem em sonhos".

"Destruíram os móveis de nossa casa e espancaram brutalmente meu pai. Não pudemos dormir naquela noite porque estávamos aterrorizados", narrou Meky, quem lembrou com pesar certo dia, seis anos e dois meses atrás, quando soldados americanos invadiram sua casa.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    10h20

    -0,41
    3,270
    Outras moedas
  • Bovespa

    10h29

    0,59
    63.597,99
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host