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19/08/2010 - 17h39

Israel impede palestinos de ter acesso a quase 20% da Faixa de Gaza

Saud Abu Ramadán.

Gaza, 19 ago (EFE).- Duas agências da ONU afirmaram hoje que Israel impede o acesso dos palestinos da Faixa de Gaza a 17% das terras e 85% das águas do território e pediram que essas restrições deixem de existir.

Em um relatório do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, na sigla em inglês) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA) apresentado hoje na Cidade de Gaza, "nos últimos dez anos, as Forças de Defesa de Israel restringiram progressivamente o acesso de palestinos à terra cultivável em Gaza, assim como a áreas de pesca ao longo da costa".

O estudo, apresentado por ocasião do Dia Humanitário Internacional, celebrado hoje, afirma que 178 mil pessoas são afetadas diretamente pelas restrições, o que dificulta que milhares de famílias tenham uma vida digna.

Além disso, o Exército israelense atira em quem viola as restrições e entra nas áreas proibidas. Embora os soldados façam disparos de advertência inicialmente, 22 pessoas morreram e 146 ficaram feridas nos últimos 18 meses.

Segundo o relatório, baseado em pelo menos 100 entrevistas de fontes distintas, a área em que os palestinos são proibidos de entrar por "motivos de segurança" avança cerca de um quilômetro e meio pela Faixa de Gaza.

Na zona litorânea, as restrições só permitem que pescadores trabalhem até um limite de 4,5 quilômetros, vetando o acesso à maior parte das águas territoriais às quais os palestinos têm direito segundo o Acordo de Oslo, assinado em 1993 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Navios da Marinha israelense atiram contra pescadores que tentam burlar a proibição para trabalhar nas águas onde a pesca é abundante. Muitos tiveram que deixar de trabalhar e se uniram à grande massa que depende das organizações humanitárias para sobreviver.

Segundo os cálculos da Ocha, as restrições fizeram a população perder mais de dois terços de sua renda e provocaram prejuízos de US$ 308 milhões. Os pescadores deixaram de ganhar pelo menos US$ 26,5 milhões nos últimos cinco anos.

As limitações impostas por Israel também deterioraram a qualidade da alimentação da população de Gaza e afetaram a escolaridade, já que nove colégios se encontram na área proibida.

A coordenadora humanitária interina da ONU, Jean Gough, pediu à comunidade internacional para que pressione Israel a acabar com a restrição.

Salwa Sweilman, uma palestina que se viu obrigada a abandonar sua casa ao ser incluída na área proibida, garante que a situação é insustentável.

"Demoliram nossas casas e tomaram nossa terra. Tenho filhos de todas as idades que vão ao colégio e à universidade e é muito difícil dar tudo o que eles necessitam. Estamos vivendo em uma casa de aluguel que não podemos pagar", declarou.

O porta-voz do Exército israelense, o tenente-coronel Avital Leibovitch, explicou à Agência Efe que "há um ano e meio as organizações terroristas em Gaza intensificaram suas atividades próximo à cerca de segurança. Em 2010, oito soldados foram feridos ou mortos. Por isso tivemos que aumentar a área e pedir para que os palestinos entrem".

"Também há comunidades israelenses próximas às áreas de fronteira que foram atingidas por disparos vindos de Gaza", assinalou.

O porta-voz acrescentou que, em relação à situação no litoral, basta lembrar "fatos como o caso dos oito barris de explosivos enviados de Gaza cujos alvos eram civis em Israel".

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