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19/08/2010 - 12h12

Paquistão cria ente para garantir bom uso de ajuda a afetados por enchentes

Igor G. Barbero.

Islamabad, 19 ago (EFE).- O Governo do Paquistão anunciou hoje a criação de um ente independente para supervisionar a transparência na ajuda aos afetados pelas inundações no país, diante das crescentes doações da comunidade internacional, impulsionadas pelas Nações Unidas.

"O Governo está totalmente comprometido a garantir a transparência e a contabilidade. Nossas ações serão apuradas publicamente", afirmou o primeiro-ministro do Paquistão, Yousef Raza Guilani, em declarações transmitidas pela rede estatal "PTV".

O ente, que recebeu o nome de Conselho Nacional de Supervisão da Gestão de Desastres, será composto por "destacadas personalidades de diferentes âmbitos", que trabalharão com "efeito imediato" para que haja "uma distribuição equitativa do dinheiro, sem discriminação", segundo Guilani.

A decisão foi tomada em reunião extraordinária de uma comissão governamental, convocada com a missão de analisar a situação das inundações, à qual assistiram representantes da oposição política, a sociedade civil, as administrações provinciais e de todos os corpos das Forças Armadas.

"O desafio que enfrentamos não tem precedentes. A classe dirigente está unida e é plenamente consciente de suas responsabilidades", acrescentou o chefe do Governo paquistanês.

O anúncio do início da comissão coincide com uma sessão plenária da ONU em Nova York, na qual o secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, e a secretária de Estado americana , Hillary Clinton, buscarão mais apoio internacional para os afetados no Paquistão.

Após a visita de Ban ao Paquistão, no domingo, a ONU recebeu nos últimos dias novas contribuições de doadores e já conseguiu cerca da metade dos quase US$ 460 milhões de seu plano de emergência.

Além disso, o Banco Asiático de Desenvolvimento informou hoje sobre a concessão de um crédito ao Paquistão de US$ 2 bilhões no longo prazo para a reabilitação e reconstrução das zonas afetadas pela catástrofe.

No entanto, muitos analistas apontam que existe um déficit de confiança no exterior sobre as autoridades do país, onde são registrados frequentes casos de corrupção de sua criticada classe dirigente.

"Embora a criação de uma comissão de alto nível possa reduzir o déficit de confiança da comunidade internacional, será um talismã de eficácia limitada", criticou hoje o ativista paquistanês pela defesa dos direitos humanos, I.A. Rehman, no jornal "Dawn", um dos mais influentes do Paquistão em língua inglesa.

Outros acreditam que a nova comissão pouco poderá fazer diante de ONGs, organismos multilaterais ou agências estrangeiras para o desenvolvimento que trabalham no Paquistão, com seus próprios mecanismos de contabilidade e gestão e pouca coordenação entre si.

E enquanto são estabelecidos mecanismos de controle para a ajuda, a cada dia aparecem novos dados que colocam em relevo o drama de um desastre que já tirou a vida de perto de 1.500 pessoas e afetou 20 milhões, segundo as autoridades.

A ONU estimou hoje que os 4,6 milhões de afetados pelas piores inundações dos últimos 80 anos estão atualmente sem nenhum tipo de cobertura e fez uma chamada para aumentar os esforços para chegar à população.

Em comunicado, a ONU disse que são já seis milhões de pessoas as que precisam de tendas de campanha e lonas de plástico para enfrentar a situação, embora um milhão delas já tenham recebido o material.

"Os fabricantes estão trabalhando contra o relógio para fabricar os produtos que pedimos. Precisamos que os doadores sigam fornecendo fundos para alcançar este objetivo. Estamos convencidos de que a comunidade internacional não ficará impassível enquanto milhões estão desabrigados", afirmou a nota.

O senador americano John Kerry, promotor de um multimilionário pacote econômico para projetos civis no Paquistão, se uniu ao apoio e hoje visitou áreas afetadas junto com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, segundo fontes oficiais.

"As inundações não são um desafio só para o Paquistão, mas para todo o mundo", disse Kerry.

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