UOL Notícias Notícias
 
23/08/2010 - 16h49

Farc pedem chance para falar de paz em assembleia na Unasul

Bogotá, 23 ago (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia pediram hoje a oportunidade de expor sua "visão" do conflito armado colombiano perante a União de Nações Sul-americanas (Unasul), uma solicitação rejeitada imediatamente pelo Governo presidido por Juan Manuel Santos, que reiterou que não aceitará intermediários para possíveis gestões de paz com a guerrilha.

Em carta divulgada hoje, às Farc pediram que o presidente convoque uma assembleia para que elas possam expor sua "visão" do conflito armado no país, ao mesmo tempo em que reiteram sua vontade de buscar uma "saída política" para esse confronto.

O Governo, através de seu vice-presidente, Angelino Garzón, rejeitou esse pedido, voltou a exigir às Farc que abandonem o sequestro e o terrorismo como condição prévia para poder conversar e reiterou que só o presidente Santos pode autorizar negociações de paz.

"Senhores presidentes: quando o estimem oportuno estamos dispostos a expor em uma assembleia da Unasul nossa visão sobre o conflito colombiano", diz a carta aberta do Secretariado do Estado-Maior Central das Farc, divulgada hoje.

A carta, publicada pelo site da Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol), que costuma divulgar os pronunciamentos do grupo rebelde, está datada de "agosto de 2010" nas "montanhas da Colômbia".

Nela a guerrilha mais antiga da América Latina, que conta hoje com 8 mil membros, segundo fontes militares, afirma que o Governo da Colômbia "mantém a porta do diálogo com a insurgência fechada iludido pela miragem de uma vitória militar e a ingerência de Washington".

Na continuação do texto a guerrilha diz que quer mostrar à Unasul sua "vontade irredutível de buscar uma saída política para o conflito", porque considera que "a paz da Colômbia é a paz do continente".

Em mensagem gravada e divulgada em julho, o chefe máximo das Farc, Guillermo León Sáenz, conhecido como "Alfonso Cano", já havia proposto a Santos, que assumiu o cargo no dia 7 de agosto, "conversar" para superar a "terrível situação" que a Colômbia vive.

A mensagem estava dirigida ao novo Governo da Colômbia e aos dos outros 11 países da América do Sul que compõem a Unasul (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela).

O Governo "exige" que o grupo rebelde "seja capaz de dizer ao povo colombiano que a violência não faz sentido", reiterou hoje o vice-presidente na Casa de Nariño (sede do Executivo), ao fim de uma reunião com Santos.

Se as Farc abandonam o sequestro e o terrorismo, assim como Santos exige, "teriam todo o apoio do presidente e toda a generosidade para construir caminhos de paz e avançar em processos de perdão e reconciliação", ressaltou Garzón.

Desde que assumiu a Presidência há menos de três semanas, Santos comentou em várias oportunidades que a porta do diálogo com as Farc "não está fechada com chave", sempre que os rebeldes deem mostras "claras e contundentes" de que querem pôr fim à violência.

O líder também desautorizou possíveis gestões de paz, tanto nacionais como internacionais, decidiu não nomear, por enquanto, o comissário de paz, um cargo vigente desde março de 2009, e instruiu às Forças Armadas a "obter resultados" contra a guerrilha "na frente militar".

Em mensagem divulgada na semana passada, o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda guerrilha em importância na Colômbia, rejeitou, por sua vez, a decisão de Santos de desautorizar a participação de mediadores na busca de diálogos de paz.

"Um verdadeiro processo de saída política do conflito torna indispensável a participação sincera e forte de todos os colombianos e da comunidade internacional interessados nesse assunto tão delicado", sustentou o comando central do grupo insurgente.

O comando do ELN, que manteve conversas em Cuba com representantes do Governo anterior, liderado por Álvaro Uribe, sem conseguir resultados concretos, enfatizou, além disso, que essa participação é necessária perante as "desconfianças e distâncias muito profundas" que há entre as partes em conflito por efeito das frustrações do passado.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host