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23/08/2010 - 12h06

Palestinos querem que diálogo com Israel leve em conta as negociações prévias

Nuha Musleh.

Ramala, 23 ago (EFE).- O negociador-chefe da Organização para Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, afirmou hoje que o diálogo direto de paz com Israel não pode "recomeçar do zero" e ressaltou que as negociações dependerão do congelamento da construção de assentamentos judaicos em território palestino.

"As negociações anteriores percorreram um longo caminho e nelas chegamos a um ponto avançado. Portanto, voltar atrás (no processo) e recomeçar do zero não é possível", disse Erekat em entrevista coletiva em Ramala na qual falou sobre a reunião de 2 de setembro, que marcará a retomada do processo de paz no Oriente Médio.

O negociador, que viajará na semana que vem com o presidente Mahmoud Abbas para participar da reunião convocada pela Casa Branca, assegurou que os palestinos "não aceitarão ditames por parte dos israelenses".

Israelenses e palestinos tentaram chegar a um acordo de paz entre 1993 e 2000 no fracassado Processo de Oslo; em 2001 em Taba (Egito); e entre fins de 2007 e fins de 2008 no chamado Processo de Anápolis.

As partes ressaltaram que, nesta última fase, conseguiram avanços em várias das questões cruciais do conflito, sobretudo a fronteiriça, na qual, em princípio, foi acordada uma troca para que os três grandes blocos de assentamentos fossem anexados por Israel, em troca de terrenos equivalentes em outros lugares.

No entanto, desde que assumiu o poder em março de 2009, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ressalta que as concessões feitas por seu antecessor, Ehud Olmert, não são relevantes. Para o atual premiê, essas conversas se basearam na fórmula de que "nada está estipulado até que tudo esteja".

Na prática, as negociações nunca recomeçaram do zero, mas os avanços foram sendo acumulados em maior ou menor medida.

Erekat também ressaltou hoje, da mesma forma que Abbas o fez no domingo, que o futuro das negociações com Israel depende que Netanyahu "não retome as construções" de assentamentos judaicos em nenhum lugar dos territórios palestinos, ocupado desde 1967.

"Israel deve escolher entre o projeto colonizador e a paz (...) entre a continuação da ocupação e a continuação do conflito árabe-israelense (...) porque não é possível combinar assentamentos e paz", declarou Erekat.

Em 26 de setembro, expira o período de dez meses de "congelamento" da construção nas colônias judaicas, adotado por Israel em novembro passado por pressões dos Estados Unidos, como parte dos esforços para conseguir negociações indiretas entre israelenses e palestinos, as chamadas "conversas de proximidade".

Esse diálogo indireto, iniciado em maio com a mediação do enviado americano George Mitchell, dará lugar em 2 de setembro a negociações diretas, as primeiras desde dezembro de 2008.

Consultado por um jornalista, Erekat deu a entender que, com exceção de se reunirem em Washington dentro de dez dias, as partes não sabem ainda como ou onde prosseguirão as negociações.

Para os palestinos, é importante que este processo conte com o maior apoio internacional possível e, por isso, pediram aos Estados Unidos que convidem para a cerimônia de reinício das negociações membros de diversos países e organizações.

"A Autoridade Palestina pediu oficialmente ao Governo dos EUA que convide quanto mais países melhor", revelou Erekat, quem pôs como referência a presença em massa de líderes mundiais à conferência de Annapolis, em novembro de 2007.

Segundo o negociador, China, Turquia, Brasil, Noruega, Catar e Emirados Árabes Unidos são países que podem contribuir para a solução do conflito e, portanto, deveriam ser convidados.

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