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23/08/2010 - 09h58

Para OLP, negociações com Israel não podem "recomeçar do zero"

Ramala, 23 ago (EFE).- O negociador-chefe da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, afirmou hoje que as negociações de paz com Israel não podem voltar a "recomeçar do zero" e que os palestinos não aceitarão nenhum "ditame" israelense.

"As negociações anteriores percorreram um longo caminho e nelas chegamos a um ponto avançado. Portanto, voltar atrás (no processo) e recomeçar do zero não é possível", disse Erekat em entrevista coletiva em Ramala na qual falou sobre a reunião de 2 de setembro para o relançamento do processo de paz do Oriente Médio.

O negociador, que viajará na semana que vem com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, para participar da reunião convocada pela Casa Branca, ressaltou que os palestinos "não aceitaremos ditames por parte dos israelenses" porque "para nós, Israel é um sócio".

Israelenses e palestinos trataram de chegar a um acordo de paz entre 1993 e 2000 no fracassado Processo de Oslo; em 2001 em Taba (Egito); e entre fins de 2007 e fins de 2008 no chamado Processo de Anápolis.

As partes ressaltaram que, nesta última fase, conseguiram avanços em várias das questões cruciais do conflito, sobretudo a fronteiriça.

No entanto, desde que assumiu o poder em março de 2009, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ressalta que as concessões feitas por seu antecessor, Ehud Olmert, não são relevantes.

Erekat também ressaltou hoje, da mesma forma que Abbas o fez no domingo, que o futuro das negociações com Israel dependem que Netanyahu "não retome as construções" de assentamentos judaicos em nenhum lugar dos territórios palestinos, ocupado desde 1967.

"Israel deve escolher entre o projeto colonizador e a paz (...) entre a continuação da ocupação e a continuação do conflito árabe-israelense (...) porque não é possível combinar assentamentos e paz", declarou Erekat.

Em 26 de setembro, expira o período de dez meses de "congelamento" da construção nas colônias judaicas, adotado por Israel em novembro passado por pressões dos Estados Unidos, como parte dos esforços para conseguir negociações indiretas entre israelenses e palestinos, as chamadas "conversas de proximidade".

O diálogo indireto destes últimos meses, com a mediação do enviado americano George Mitchell, dará lugar em 2 de setembro a negociações diretas, as primeiras desde dezembro de 2008.

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