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23/08/2010 - 14h40

Primeiro-ministro do Paquistão diz que a democracia no país não corre perigo

Igor G. Barbero.

Gilgit (Paquistão), 23 ago (EFE).- O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, assegurou hoje à Agência Efe durante uma visita às áreas remotas do norte, isoladas do país pelas inundações, que a democracia não corre perigo apesar do descontentamento popular.

"Há gente que acredita que Governo e Exército são coisas diferentes. É porque não sabem que o Exército trabalha sob o controle do Governo civil: existem para nos ajudar e estão fazendo o melhor que podem", disse Gillani em entrevista à Efe em um voo rumo à região de Gilgit-Baltistan.

O primeiro-ministro paquistanês declarou que "quando há este tipo de catástrofe, certos políticos e meios de comunicação acham que é uma oportunidade para alcançar o poder".

"Estão errados, porque a maior parte do povo acredita na democracia, na estabilidade e no trabalho pelo bem-estar da população do Paquistão".

Ontem, Altaf Hussain, um líder político paquistanês exilado em Londres há décadas, pediu ao Exército que tome o poder para acabar com a corrupção e a má gestão da crise.

Seu pedido foi feito após semanas de críticas a um Governo que, segundo os analistas, se debilitou durante a crise e viu o Exército ganhando popularidade.

O primeiro-ministro acabou hoje com todas as possibilidades sobre um hipotético golpe de Estado e aproveitou para desmentir as informações de que organizações religiosas extremistas estejam liderando a assistência aos desabrigados pelas inundações.

"Se o próprio Governo está envolvido... Como vamos deixar que (grupos islamitas) interfiram em nossos trabalhos? Ninguém poderá trabalhar se não tiver o sinal verde das agências de inteligência", argumentou.

Gillani agradeceu à comunidade internacional a ajuda fornecida até o momento para "uma das maiores catástrofes da história mundial" e garantiu transparência na gestão assim como a continuidade do "compromisso" do Paquistão "na luta contra o terrorismo e o extremismo".

A conversa com a Efe aconteceu durante um voo à cidade de Gilgit que ficou isolada do resto do país pela destruição em massa das infra-estruturas.

"Estamos isolados do resto do país. As comunicações com a China estão cortadas. A estrada de Karakorum está fechada. Só temos uma pequena saída para o vale de Kagan Nagan (noroeste)", se lamentou a um grupo de jornalistas o chefe do Governo regional, Syed Mehdi Shah.

Shah acrescentou que seu território quase não dispõe de reservas de combustível, as provisões de água e eletricidade diminuíram notavelmente e quase mil quilômetros de estradas ficaram gravemente danificados.

Situada numa área de vales onde se encontram as mais altas cordilheiras do planeta, como o Himalaia, o Hindu Kush e o Karakorum, Gilgit-Baltistan enfrenta com dificuldade o bloqueio através de helicópteros e aviões de carga.

Mas os moradores, entre eles cerca de 25 mil desabrigados, exigem mais atenção das autoridades.

"Muitas casas ficaram totalmente destruídas, perdemos terras de cultivo, também muitos animais. O Governo nos dá alguma ajuda, como trigo, mas não é suficiente, somos muitos na família", explicou à Efe Aziz Ahmed.

Ahmed e outros desabrigados receberam a visita hoje de Gillani, que, acompanhado por uma extensa delegação integrada por três ministros e vários parlamentares, tentou acalmar os ânimos com promessas de mais assistência, como um hospital móvel, equipamentos médicos e material sanitário.

Com 183 mortos, 347 aldeias inundadas e três mil casas danificadas, a isolada Gilgit-Baltistan não é, apesar de tudo, uma das regiões mais afetadas pela catástrofe, que segue se estendendo pelo sul do Paquistão e já deixou mais de 1.500 vítimas fatais e cerca de 20 milhões de desabrigados desde final de julho.

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