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23/08/2010 - 14h54

Termina com 8 mortos sequestro de ônibus turístico em Manila

Eric San Juan.

Manila, 23 ago (EFE).- Após 12 horas de tensas negociações, o sequestro de um ônibus turístico em Manila terminou hoje com o sangrento resultado de oito mortos, sete reféns e o sequestrador, um ex-policial exonerado que exigia ser readmitido na Polícia filipina.

Sete reféns morreram por tiros do agressor, enquanto seis dos 15 que ficaram no ônibus até o fim saíram vivos, embora um deles gravemente ferido. Depois de negociações, os policiais conseguiram, finalmente, resgatar os reféns e entrar no veículo.

Segundo fontes do Governo, 25 pessoas estavam a bordo quando o ônibus foi sequestrado, por volta das 9h local (22h de ontem no horário de Brasília). Inicialmente, o sequestrador libertou nove reféns, entre eles três crianças.

Esses nove libertados anteriormente somados aos seis que saíram ilesos e o motorista do ônibus, que conseguiu fugir por uma das janelas do veículo, totalizam, portanto, 17 sobreviventes, num ônibus cujos passageiros eram turistas de Hong Kong.

O sequestrador, Rolando Mendoza, de 55 anos, morreu quando foi atingido por um tiro na cabeça, disparado por um atirador de elite com arma de mira a laser, assinalou um porta-voz policial.

Mendoza abriu fogo com seu fuzil metralhador M-16 logo quando os agentes da Polícia fizeram a primeira tentativa de entrar no ônibus, próximo à praça Rizal, um dos locais mais visitados da capital das Filipinas.

Cerca de 20 agentes da Polícia estão situados dos dois lados do ônibus para tentar quebrar as janelas do veículo para invadi-lo, libertar os reféns e deter o sequestrador.

A Polícia identificou o suspeito como um antigo inspetor, com grau de capitão, que foi afastado da corporação em 2008 após ter se envolvido em um escândalo de roubo, extorsão e drogas.

Mendoza exigia que fosse absolvido das acusações feitas contra ele e que fosse readmitido na Polícia, na qual faltava apenas um ano para se aposentar e receber previdência social.

Durante as negociações, as autoridades policiais acreditavam que conseguiriam resolver o sequestro sem resultados trágicos, já que, segundo elas, Mendoza deu sinais de boa vontade ao libertar nove dos reféns.

Três mulheres e três crianças foram libertadas num primeiro momento. Uma hora depois, o sequestrador libertou outro refém, um homem que disse ser diabético, em troca de água e alimentos fornecidos pela Polícia.

Mais tarde foram libertados outros dois reféns filipinos, o guia-intérprete do grupo de turistas e um fotógrafo, Danilo Negrín, de 64 anos. Pouco depois do primeiro tiroteio, o motorista conseguiu fugir ileso por uma das janelas do ônibus.

No início da negociação, o sequestrador colocou uma cartolina em uma janela do ônibus na qual escreveu as condições para pôr em liberdade os reféns. Entre elas, ele deveria ser absolvido pela Procuradoria das Filipinas das acusações que pesavam sobre ele.

Mendoza também colocou no ônibus mensagens escritas em pequenos pedaços de papel dirigidas aos policiais mobilizados no local, enquanto mantinha breves conversas com a Polícia por meio do celular do motorista e com os negociadores policiais que se aproximaram do veículo.

Em um das mensagens que colocou numa janela do ônibus, o sequestrador advertia que, às 15h local (4h de Brasília) terminaria seu prazo e que "algo grande" ocorreria, mas a violência eclodiu somente quatro horas depois desse prazo.

O sequestrador subiu ao veículo quando este vinha do centro histórico de Manila e estava a apenas 150 metros de uma delegacia.

Segundo os dados policiais, o inspetor Rolando Mendoza foi expulso definitivamente da Polícia em janeiro passado junto a outros quatro agentes pela Procuradoria das Filipinas.

O ex-inspetor extorquiu há dois anos um cidadão filipino, Christian Kalaw, a quem exigiu 20 mil pesos (US$ 444) para permiti-lo estacionar em um local proibido, dirigir sem licença e consumir drogas.

De acordo com o relatório policial, o ex-oficial e outros três agentes obrigaram Kalaw a engolir metanfetamina hidroclórida, uma droga alucinógena de difundido consumo no Sudeste Asiático.

O Governo filipino considera a tragédia um fato isolado e rejeita que o país seja um destino perigoso. Por sua vez, as autoridades de Hong Kong advertiam a seus cidadãos que não é seguro viajar às Filipinas.

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