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24/08/2010 - 10h23

Filipinas justifica ação policial em ônibus que terminou com 9 mortos

Eric San Juan.

Manila, 24 ago (EFE).- O presidente das Filipinas, Benigno Aquino, defendeu hoje a atuação da Polícia na operação de resgate que terminou com a morte de pelo menos oito turistas chineses de Hong Kong e do sequestrador do ônibus em que estavam.

"A fuga do motorista, somada às informações de que houve dano aos reféns, forçou a invasão" dos policiais ao ônibus, disse Aquino em comunicado emitido no dia seguinte da polêmica operação policial para encerrar o sequestro das 25 pessoas que originalmente a bordo do veículo tomado por um ex-oficial da Polícia.

A reação do chefe de Estado filipino ocorreu em decorrência dos furiosos protestos dos Governos de Hong Kong e China, consternados diante do modo de agir dos agentes da Polícia para resolver o sequestro, que durou até que o sequestrador foi morto de um tiro 12 horas após se apoderar do veículo.

"É uma grande tragédia. Acho decepcionante o modo como foi conduzida a operação e principalmente o resultado", assinalou Donald Tsang, chefe executivo de Hong Kong.

Diante da indignação suscitada em Hong Kong, o executivo recomendou à população do território sob soberania chinesa que evite qualquer viagem às Filipinas nos próximos dias.

Na outra frente diplomática, o ministro de Assuntos Exteriores chinês, Yang Jiechi, ressaltou que há um clima negativo em seu Governo e reivindicou ao filipino uma minuciosa investigação à qual pediu acesso.

Diante da enxurrada de críticas, Aquino anunciou em comunicado que explicará pessoalmente ao chefe do executivo de Hong Kong todos os pormenores da operação e as instruções de priorizar os cuidados médicos às três vítimas que foram hospitalizadas, uma delas com um tiro na cabeça.

O Governo filipino, que declarou um dia de luto às vítimas da tragédia, se comprometeu a investigar a atuação das forças de segurança, considerada pelo menos anormal pelo mais alto comando da Polícia.

"Vimos algumas deficiências óbvias em termos de capacidade e das táticas e procedimentos empregados, de modo que vamos investigar", disse à imprensa o chefe superior de Polícia, Leocadio Santiago.

Vários representantes do Governo de Hong Kong se deslocaram até a capital filipina para supervisionar a investigação.

O sequestrador, Rolando Mendoza, morreu ao ser atingido por um tiro na cabeça feito por um atirador de elite da Polícia com arma de mira a laser, pouco depois de disparar com um fuzil automático contra os policiais que fizeram uma primeira tentativa de entrar no ônibus.

O chefe da Polícia disse aos jornalistas que foi determinante a fuga do motorista e sua informação de que os reféns haviam sido executados pelo sequestrador.

"Quando o motorista escapou e disse que Mendoza tinha começado a matar os reféns, o comandante ordenou a invasão", explicou.

Mendoza, de 55 anos e ex-capitão condecorado em dez ocasiões, foi afastado da Polícia em 2008 após ser envolvido em um obscuro assunto de roubo e extorsão relacionada a drogas.

Com sua ação, o ex-policial queria ser absolvido das acusações que pesavam sobre ele e sua readmissão na Polícia, onde só lhe restava um ano para se aposentar e receber previdência social.

Uma das sobreviventes, identificada como Leung e que perdeu o marido e duas filhas de 14 e 21 anos na tragédia, explicou hoje que o sequestrador "só atirou quando fracassaram as negociações. "Não posso aceitar o que o Governo filipino fez".

Os comandantes policiais explicaram que o sequestrador mudou de atitude quando lhe entregaram uma carta da Procuradoria na qual, embora se comprometia a revisar seu caso, não mencionava que ele seria absolvido.

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