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25/08/2010 - 19h18

Sobrevivente diz que 72 mortos eram imigrantes, alguns deles brasileiros

México, 25 ago (EFE).- As autoridades mexicanas investigam hoje as afirmações de uma testemunha do massacre de 72 pessoas cometido no nordeste do México, segundo as quais os mortos eram imigrantes que queriam chegar aos Estados Unidos, entre eles, alguns brasileiros.

A testemunha diz também que os imigrantes foram vítimas de um grupo armado, que pode ser o cartel Los Zetas.

A testemunha, cuja identidade não foi revelada, fazia parte do grupo atacado e foi quem avisou as autoridades sobre o massacre, ocorrido em um rancho próximo à cidade de San Fernando, no estado de Tamaulipas, na fronteira com os EUA.

De acordo com ela, que foi baleada no pescoço, os imigrantes assassinados vinham do Brasil, Equador, El Salvador e Honduras e foram sequestrados por homens armados antes de chegar à fronteira.

Até o momento, o que se sabe com certeza é que se tratava de 58 homens e 14 mulheres.

A Chancelaria mexicana já está trabalhando com as embaixadas dos países dos quais supostamente vieram os imigrantes assassinados para proceder à identificação dos corpos.

O sobrevivente atribuiu o massacre ao cartel de narcotraficantes Los Zetas, um dos mais perigosos do país, disse hoje o porta-voz da Marinha, o contra-almirante José Luis Vergara.

Antigo braço armado do Cartel do Golfo, agora seu inimigo e concorrente, o Los Zetas foi formado por desertores de uma tropa de elite do Exército mexicano em 1999.

Segundo o porta-voz nacional de Segurança, Alejandro Poiré, caso o depoimento da testemunha se confirme, seria a prova de que o narcotráfico mexicano está recorrendo ao sequestro e à extorsão de imigrantes ilegais na busca de recursos diante da "situação adversa" que enfrenta.

"Algumas organizações criminosas participaram do sequestro e extorsão de migrantes centro e sul-americanos, e em algumas ocasiões na tentativa de seu recrutamento para fazer parte das próprias quadrilhas", relatou.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a procuradoria de Tamaulipas abriram investigações sobre o crime.

Alertados pelo sobrevivente, integrantes da Marinha foram ontem ao local do massacre e foram recebidos a tiros.

O reconhecimento da Marinha teve apoio de um avião, que foi baleado, e dois helicópteros.

O tiroteio terminou com a morte de três dos supostos autores do massacre e um militar. Além disso, foi detido um menor de idade, sobre o qual não foram divulgados detalhes.

Após a fuga dos supostos traficantes, houve uma revista na área os 72 cadáveres foram encontrados em um rancho.

O vice-ministro das Relações Exteriores mexicano, Salvador Beltrán del Río, destacou hoje que, para frear as redes de tráfico de imigrantes ilegais no continente e diante da escalada de violência, há "necessidade de compartilhar informações sobre o que está acontecendo nos respectivos países".

Todas as informações divulgadas sobre o fato são preliminares, segundo o porta-voz da Procuradoria federal, Ricardo Nájera.

O porta-voz Poiré apontou que um relatório sobre a situação da violência no México será divulgado em breve.

Até o momento, o país acumula 28 mil mortes violentas associadas ao crime organizado durante o Governo do conservador Felipe Calderón, que começou seu mandato em dezembro de 2006.

Os jornais de Tamaulipas ignoraram hoje em suas capas a descoberta dos 72 cadáveres, mas alguns incluíram a informação de maneira discreta em suas edições digitais.

Tamaulipas é tido como um dos estados onde a liberdade de imprensa sofre mais ameaças dos cartéis diante da publicação de qualquer informação que não convenha a seus interesses.

Ontem, relatores de liberdade de expressão da ONU e da Organização dos Estados Americanos (OEA) terminaram uma visita de mais de duas semanas ao México e apontaram uma "impunidade geral" em relação aos assassinatos de jornalistas.

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