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25/08/2010 - 10h11

Um Ramadã marcado por séries polêmicas nas redes de TV egípcias

Francisco Carrión.

Cairo, 25 ago (EFE).- As telenovelas se transformaram em uma tradição para milhões de egípcios durante o Ramadã, um mês sagrado que neste ano foi marcado por várias polêmicas televisivas, entre elas a de uma série que irritou a organização Irmandade Muçulmana.

Com o pôr do sol a multidão desaparece das movimentadas ruas do Cairo e se reúne em seus lares para celebra o "iftar", a comida que põe fim ao jejum diário durante o mês do Ramadã.

Uma vez quebrada a abstinência, os egípcios se reúnem perante o televisor para seguir alguma das 64 "musalsalat" (séries, em árabe) produzidas este ano no Oriente Médio com um custo de US$ 175 milhões, segundo dados divulgados pela Irmandade Muçulmana.

Esta influente organização islâmica denunciou perante os tribunais a transmissão de "O Grupo", uma telenovela que narra a história da agremiação desde sua criação em 1928 até o assassinato de seu fundador, Hasan al Bana, em 1949.

Para a Irmandade Muçulmana, a série oferece uma visão distorcida do grupo e de seu primeiro líder espiritual e, além disso, mostra o ponto de vista do Governo e das forças de segurança, que consideram a Irmandade um perigo para a estabilidade do país.

A primeira sessão do julgamento está fixada para o próximo dia 14 de setembro e, enquanto isso, a Irmandade Muçulmana preparam sua própria série, batizada de "Al Bana: uma viagem inacabada" e que, asseguram, será rodada na Síria e na Jordânia para evitar problemas com as autoridades egípcias.

No entanto, "O grupo" não é a única série que causou polêmica. Os descendentes de um xeque tribal do Alto Egito, Himan Ben Youssef, também processaram os responsáveis por uma telenovela sobre sua vida por tergiversar sua biografia, segundo o jornal "Al Masry Al Yaum".

Controvérsias à parte, há telenovelas que brilham com luz própria na televisão sem necessidade de polêmica como "Bab al Hara" (a porta do beco, em árabe), que retrata a Síria da década de 1930, sob a ocupação francesa.

Seguida por milhões de espectadores no Oriente Médio, "Bab al Hara" estreou durante o Ramadã de 2006 e acaba de iniciar sua quinta temporada.

O fã de novelas Manduh el Magued, de 34 anos, confessa à Agência Efe sua paixão por "Bab".

"A série reflete o que o nosso mundo era e se perdeu, o amor entre muçulmanos e cristãos e a ajuda entre todos", explica Magued, seguidor também de telenovelas mexicanas dubladas em árabe.

Além disso, durante o Ramadã, são transmitidas séries de temática histórica como "Cleópatra", centrada na célebre rainha egípcia, e "Reina no exílio", que recupera a figura de Nazly, mãe do rei Farouk, o último monarca do Egito.

Também há séries românticas como "Zahara e seus cinco maridos", que aborda as peripécias de uma mulher que se casou com cinco homens e viveu cinco vidas, e sequências de séries de sucesso.

O diretor no Oriente Médio da empresa de consultoria Ipsos, Elie Aun, que se dedica a fazer pesquisas, disse à Efe que "o Ramadã é o principal mês da televisão e da publicidade, já que muitas redes de televisão só conseguem lucros nestas datas".

O negócio que as séries do Ramadã movimentam é tão grande que inclusive as produtoras de diferentes países muçulmanos estão imersas em pleitos para arranhar uma fração desse mercado.

As companhias audiovisuais egípcias denunciaram o veto dos canais por satélite a suas produções, a favor de séries turcas e sírias, em represália pela decisão do Cairo de proibir que atores estrangeiros participem anualmente em mais de uma série.

Para absorver o excedente de produção nacional, o Governo egípcio estreou no início do mês do jejum três novos canais de televisão, ao quais devem se somar mais um, coincidindo com as festas de "Eid el Fitr", no final do mês.

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