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26/08/2010 - 09h08

Disputa partidária pode levar Japão ao 6º Chefe de Estado em 4 anos

Patricia Souza.

Tóquio, 26 ago (EFE).- Ichiro Ozawa, o poderoso "Shogun das sombras" da política japonesa, desafiou hoje a liderança do atual primeiro-ministro Naoto Kan, o que pode gerar uma reviravolta política em um país que teve cinco chefes de Governo em quatro anos.

Ozawa, um veterano político de 68 anos com vários escândalos financeiros no currículo, anunciou hoje que vai concorrer em 14 de setembro à Presidência do governante Partido Democrático (PD) junto a Naoto Kan, eleito primeiro-ministro em passado 8 de junho.

Os analistas acreditam que o desafio de Ozawa é muito sério, pois poderia levar o Japão ao terceiro primeiro-ministro só neste ano e o sexto desde setembro de 2006.

Se Kan não for reeleito presidente do PD, seu sucessor será nomeado dias depois primeiro-ministro pela Dieta (Parlamento).

Esse terremoto político pode se repetir só um ano depois das eleições gerais vencidas em 30 de agosto de 2009 por arrasadora maioria pelo PD, que com sua promessa de mudança pôs fim a meio século de domínio do conservador Partido Liberal-Democrata (PLD).

O vencedor desse pleito foi Yukio Hatoyama, quem renunciou em junho, após oito meses e meio à frente do Governo, diante da falta de popularidade e uma longa polêmica sobre a manutenção em Okinawa de uma base militar dos Estados Unidos.

Precisamente Hatoyama foi quem hoje permitiu o desafio político de Ozawa, quem teve de renunciar em várias ocasiões à chefia do PD por suposto financiamento ilegal do partido, mas não chegou a ser processado por falta de provas.

"O ex-primeiro-ministro Yukio Hatoyama disse que me apoiará se eu me apresentar à eleição, por isso decidi fazê-lo", indicou Ozawa, fundador em 2003 junto de Hatoyama do Partido Democrático, uma formação que reunia socialistas e exilados do PLD.

A eleição interna à Presidência do Partido Democrático, segundo a imprensa japonesa, pode depender de Hatoyama, quem no passado assegurou apoiar seu sucessor na chefia de Governo, mas hoje mudou seu discurso.

Segundo a agência local "Kyodo", Hatoyama controla 60 legisladores, enquanto Ozawa conta com apoio de 150, mais 120 de Kan, cuja liderança sobre o partido não parece consolidada.

Em menos de três meses como primeiro-ministro, Naoto Kan viu o Japão deixar de ser a segunda economia mundial, perdendo o lugar para China, o iene subir a maior cotação na década (o que prejudica os grandes exportadores japoneses) e ainda assistiu a derrota nas eleições parciais ao Senado em 11 de julho.

A posição de Ozawa, conhecido por ser direto nas declarações e que nesta semana tachou de "simples" os americanos, também não é clara apesar de parecer ter mais poder que Kan em seu partido e foi o artífice da vitória eleitoral do PD há um ano.

Contra si, no entanto, pesa o fato de não ser popular entre os eleitores, que associam sua figura ao político ao estilo japonês, rodeado de escândalos de corrupção e negociador ardiloso, daí seu apelido "Shogun das sombras".

O risco que a decisão anunciada hoje por Ichiro Ozawa cause uma ruptura no Partido Democrático foi desprezado pelo ministro porta-voz, Yoshito Sengoku, quem disse que a eleição interna deve ser "transparente e aberta".

Devem votar nesse pleito 345 mil correligionários do Partido Democrático, entre eles 412 parlamentares, para um processo de renovação na Presidência do PD que já estava previsto antes da renúncia de Hatoyama e do próprio Ozawa por um esquema de financiamento ilegal, poucos meses antes das eleições.

Se o atual primeiro-ministro perder, o Japão estará pronto para um novo "deja vu" de sua classe política: terá mais um primeiro-ministro que durou menos de um ano no cargo.

Desde setembro de 2006, o gigante asiático teve cinco chefes de Governo: três do PLD (Shinzo Abe, Yasuo Fukuda e Taro Aso) e dois do PD, dos que só um, Yukio Hatoyama, foi eleito nas urnas.

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