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14/09/2010 - 11h41

Kan supera aposta em seu partido e continua a frente do Governo do Japão

Patricia Souza.

Tóquio, 14 set (EFE).- Naoto Kan, primeiro-ministro do Japão há três meses, continuará à frente do Governo após superar hoje uma arriscada eleição pela liderança do Partido Democrático (PD), graças ao forte apoio dos militantes de base.

Kan foi reeleito hoje presidente de seu partido com uma maioria mais confortável do que o esperado, 721 pontos frente a 491 de seu único rival, Ichiro Ozawa, o poderoso ex-secretário-geral do PD que, se tivesse vencido, o teria substituído também como primeiro-ministro.

Se isso tivesse ocorrido, neste caso, seria a terceira substituição no Governo japonês em um ano e a sexta em quatro anos, um horizonte de instabilidade política contra o que Kan baseou sua campanha, diante do impacto negativo que teria para a economia e a diplomacia japonesas.

Logo após ser eleito em uma emocionante votação realizada hoje em um hotel de Tóquio, Naoto Kan, de 63 anos, defendeu pela "unidade" do PD enquanto Ozawa, de 68 anos, se comprometeu em público a lutar pelo êxito de seu partido no Governo.

A sobrevivência de Kan a frente do Executivo, no entanto, não exime de futuros sobressaltos, pois Ozawa demonstrou sua ascendência sobre a Dieta (Parlamento).

Os votos de hoje foram incomodamente para Kan quanto aos militantes da base do partido, mas entre os parlamentares as forças estiveram praticamente empatadas.

Em entrevista coletiva, Kan deixou entrever que mudará em breve seu Governo embora não esclareceu se incluirá políticos próximos a Ozawa, cujo afastamento dos círculos de poder parece ter sido o detonante que buscasse de novo a liderança do partido.

Ichiro Ozawa teve de renunciar a direção do Partido Democrático três meses antes das eleições de 30 de agosto de 2009, devido a um obscuro escândalo de financiamento ilegal.

Sob a liderança acidental de Yukio Hatoyama e uma mensagem promissora de mudança, o PD varreu nesse pleito um conservador Partido Liberal-Democrata (PLD) que estava a meio século no poder no Japão.

Oito meses e meio depois, Hatoyama renunciou abruptamente por sua baixa popularidade e levou consigo de novo a Ozawa, então secretário-geral do PD, pedindo publicamente uma política mais limpa e alheia aos escândalos financeiros.

Assim chegou ao poder, em 8 de junho, Naoto Kan, um ex-ativista que não pertence às famosas dinastias políticas e era vice-ministro e titular de Finanças de Hatoyama.

Em seu curto mandato, Naoto Kan se afastou de promessas idealistas de mudança e optou por uma mensagem pragmática a favor de escorar a recuperação econômica e a saúde fiscal do Japão.

Kan foi eleito então presidente do PD de forma interina e a escolha de hoje, garante ele o posto para os próximos dois anos, estava prevista nos estatutos do partido.

Para sua vitória de hoje foi determinante o apoio dos militantes de base, que em 83% se inclinaram por sua permanência no poder, como favorecia também a grande maioria da população japonesa, segundo as pesquisas.

O resultado foi, no entanto, muito mais acirrado entre os legisladores regionais do PD (60% de apoio para Kan) e, sobretudo, entre os parlamentares (50,12%), o que demonstra uma divisão radical na Dieta (Parlamento).

A derrota de Ozawa pode ter consequências imprevisíveis e alguns analistas não descartam mais apostas futuras ou inclusive seu andamento do PD, o quarto partido ao qual pertenceu em sua longa carreira política de quatro décadas.

No plano financeiro, sua vitória foi recebida com maiores apreciações do iene, que hoje foi cotado novamente em eu nível mais alto frente ao dólar, em parte porque até agora Kan não tomou medidas com relação, enquanto Ozawa defendia uma intervenção no mercado.

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