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17/09/2010 - 16h33

Papa exige liberdade de culto e diz que religião não é um problema

Juan Lara.

Londres, 17 set (EFE).- O papa Bento XVI afirmou hoje em Londres que a religião não é um problema sobre o qual seja necessário legislar e pediu liberdade de culto "sem perseguições", em uma jornada de caráter ecumênico na qual voltou a defender a unidade dos cristãos.

O segundo dia de visita de Bento XVI ao Reino Unido se viu denegrido pela detenção de seis homens, em sua maioria argelinos, no centro de Londres em relação com uma possível ameaça terrorista contra o Pontífice.

Os suspeitos, garis entre 26 e 50 anos, foram detidos sob a suspeita de preparação e instigação de atos terroristas, segundo a Scotland Yard (serviço de Inteligência britânico).

Essas prisões não modificaram, no entanto, a acirrada agenda do papa, que incluiu um encontro com políticos em Westminster Hall, o local onde o político Thomas More foi condenado à morte em 1535 por não abjurar de sua fé católica.

Ali, diante da presença do primeiro-ministro James Cameron e seus antecessores Margaret Thatcher, John Major, Tony Blair e Gordon Brown, o papa ressaltou que a religião "não é um problema" que os legisladores devam solucionar, mas um fator que contribui de maneira vital ao debate nacional.

Além disso, o Pontífice denunciou que se tenta silenciar a religião na vida pública e inclusive suprimir o Natal ao considerar que "ofende" outras religiões.

Bento XVI manifestou que a razão e a fé necessitam um do outro e que não deveriam ter medo de entabular um diálogo profundo e contínuo, pelo bem da civilização.

Ele fez um apelo à solidariedade e disse que são necessárias "novas ideias" que melhorem as condições de vida.

"Quando está em jogo a vida humana, o tempo é sempre limitado. O mundo foi testemunha dos ingentes recursos que os Governos podem empregar no resgate de instituições financeiras e, claro, o desenvolvimento humano integral dos povos não é menos importante", manifestou.

A jornada começou com um encontro com cientistas no St. Mary's University College, onde o papa disse que o mundo necessita bons cientistas, mas que uma perspectiva científica se torna perigosa quando se ignora a dimensão religiosa e ética da vida, "da mesma forma que a religião se transforma em limitada se rejeita a legítima contribuição da ciência à compreensão do mundo".

O Pontífice acrescentou que também são necessários bons historiadores, filósofos e economistas, mas que se suas contribuições à vida se enfocam de maneira muito reduzida, "podem nos levar por mau caminho".

Este segundo dia de visita ao Reino Unido teve um marcado caráter ecumênico. Bento XVI se reuniu com o arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja Anglicana, Rowan Williams, para quem reiterou o compromisso da Igreja Católica de lutar pela unidade dos cristãos.

O encontro aconteceu um ano depois de o Vaticano convocar os fiéis tradicionalistas anglicanos contrários à abertura da Comunhão Anglicana - como a ordenação de mulheres e homossexuais como bispos -, disposição criticada por muitos dos 77 milhões de anglicanos, que consideram a medida uma "anexação".

A jornada teve seu momento histórico: pela primeira vez um papa pisava o mais importante templo do anglicanismo, a Abadia de Westminster, onde implorou pela unidade dos cristãos e reconheceu "as decepções" e o muito que ainda resta a fazer no caminho ecumênico.

Bento XVI se reuniu também com dirigentes de outras religiões, perante os quais pediu liberdade para que todas as pessoas possam praticar sua religião e participar de cerimônias públicas de culto "sem sofrer ostracismo ou perseguição". Ele exigiu reciprocidade no diálogo inter-religioso.

Amanhã, o papa se reunirá com o primeiro-ministro Cameron, celebrará uma missa na catedral católica de Londres e participa de uma vigília por ocasião da beatificação no domingo do cardeal John Henry Newman, converso do anglicanismo, falecido em 1890.

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