UOL Notícias Notícias
 

Terremoto no Japão

Um dos maiores tremores da história desencadeia um tsunami, provoca mortes e deixa um rastro de destruição no Japão

  • Imagem: Reprodução
29/03/2011 - 09h54

Japão admite que situação é grave após descoberta de plutônio em Fukushima

Patricia Souza
Em Tóquio

A descoberta de plutônio no solo da usina nuclear de Fukushima e a alta radiação na água levaram o governo japonês a admitir que a situação é "muito séria" e continua fora de controle.

Na segunda-feira foram detectadas pequenas quantidades de plutônio no solo da usina nuclear e, embora não representem um risco para a saúde, demonstram que houve vazamento de um reator.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, qualificou nesta segunda-feira como "imprevisível" a situação da usina nuclear de Fukushima Daiichi (nordeste do Japão), o que obriga uma atenção constante das autoridades.

Desde sábado a situação na usina de Fukushima se agravou e os trabalhadores da empresa operadora, a Tepco, continuam as tentativas de refrigerar seus seis reatores, mas a cada dia enfrentam uma nova dificuldade.

O tsunami provocado pelo terremoto de 9 graus na escala Richter, com ondas de até 13 metros, prejudicou o sistema elétrico da central que é necessário para esfriar seus reatores, que abrigam perigosas barras de combustível nuclear.

Nesta terça-feira foram feitas tentativas de drenar a água radioativa que inunda a zona de turbinas perto dos reatores 1, 2 e 3. Este último é o que mais preocupa por conter um combustível que mistura urânio e plutônio, altamente tóxico.

O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, muito crítico à atuação da Tepco, pediu nesta terça-feira que se vigie a saída de plutônio ao exterior da usina e disse que é provável que o material detectado provenha de barras de combustível fusionadas parcialmente.

O porta-voz ressaltou, no entanto, que as quantidades de plutônio detectadas são as mesmas que podem ser encontradas no meio ambiente enquanto, em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) assinalou que a composição de isótopo sugere que procede de um reator, embora tenha destacado que se trate de pequenas quantidades.

Para as autoridades japonesas, a prioridade agora em Fukushima é continuar lançando água sobre os reatores, além de drenar as zonas inundadas.


Na segunda-feira, os operários da Tepco, além de detectar plutônio, confirmaram o risco de que água radioativa chegue ao exterior por um conduto que rodeia o reator 2.

No entanto, a Agência de Segurança Nuclear do Japão assegurou nesta terça-feira que não há confirmação de que essa água radioativa tenha chegado ao mar e afirmou que os níveis de água nos condutos que conectam os reatores 1, 2 e 3 se mantêm estáveis.

Esses encanamentos se encontram a entre 55 e 70 metros de distância do mar e foram escorados com sacos de areia e blocos de cimento pelos operários.

A cada dia, a Tepco e a Agência de Segurança Nuclear têm que atender a uma nova emergência na central, enquanto o porta-voz do Governo japonês oferece várias entrevistas coletivas por dia para dar sua versão dos fatos.

O Executivo japonês prometeu "transparência" na gestão de uma crise nuclear e pediu "sangue frio" aos países estrangeiros para que evitem um alarmismo excessivo.

Na quinta-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, irá a Tóquio. Ele será o primeiro governante estrangeiro a visitar o país desde o terremoto.

Nos primeiros dias após a crise no Japão, a França qualificou a situação na usina de Fukushima como uma "catástrofe nuclear".

Veja mais

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,85
    3,308
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h22

    0,25
    72.607,70
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host