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06/04/2011 - 12h37

Movimento 6 de Abril, a faísca da revolta egípcia, celebra 3º aniversário

Heba Helmy.

Cairo, 6 abr (EFE).- O Movimento 6 de Abril comemora nesta terça-feira seu terceiro aniversário e desta vez não promoverá protestos, mas celebrará o nascimento de um novo Egito após a revolução de 25 de janeiro que provocou o fim do regime de Hosni Mubarak.

"Desde 2008, 6 de abril é um dia de resistência e neste ano é a primeira vez que passará sem uma resistência verdadeira. Antes lutávamos contra a corrupção do antigo regime e neste ano começa um novo futuro para o Egito", disse à Agência Efe a porta-voz deste grupo juvenil, Ingy Hamdi.

O Movimento 6 de Abril, um dos principais grupos opositores, nasceu em 2008 na internet com a convocação para uma greve geral neste mesmo dia para os trabalhadores do setor têxtil, que se uniram para pedir melhores condições de trabalho na cidade de Al-Mahalla Al-Kubra, centro têxtil do país.

Naquele ano, e enquanto o então presidente Hosni Mubarak combatia tudo o que podia cheirar a oposição no Egito, os apoiadores deste movimento no Facebook chegaram a 70 mil pessoas.

Desde seu surgimento, a cada 6 de abril são feitos protestos para pedir mais democracia e liberdade, que culminaram em 11 de fevereiro com a renúncia de Mubarak como chefe de Estado.

"Hoje confirmamos as demandas que desencadearam a revolução para poder construir um Egito sem os resquícios do antigo regime", acrescentou Hamdi, que garantiu que o movimento não abandonará seu caminho de combate à corrupção.

Entre as reivindicações, a jovem citou o julgamento de Mubarak, sua família e todos os dirigentes corruptos do regime, a recuperação dos fundos do Estado que supostamente roubaram e a dissolução do ex-governista Partido Nacional Democrático.

Com estas solicitações, o movimento - que faz parte da chamada Coalizão dos Jovens da Revolução de 25 de Janeiro - incentivou os internautas no Facebook a participarem dos atos organizados para esta quarta-feira para "atingir os objetivos da revolução".

A comemoração do aniversário do movimento será celebrada também com o lançamento do canal de televisão por satélite "25" - data na qual explodiu a revolução egípcia - para insistir nas demandas desta revolta popular.

"Na próxima sexta-feira, começaremos uma série de pressões pelas reivindicações da revolução", afirmou Hamdi, explicando que uma das medidas que serão adotadas será uma campanha de conscientização sobre a democracia em todas as províncias.

O papel deste e de outros movimentos ainda não terminou, mas continuará durante meses ou anos, porque, segundo Gamila Ismail, uma ativista opositora que apoiou o Movimento 6 de abril desde sua criação, "a revolução não acabou e não acabará até que se cumpram suas demandas".

Embora sua tarefa vá continuar, há quem pense que os movimentos juvenis terão que fazer parte dos partidos políticos, como o analista político Hassan Nafaa, um dos dirigentes da Assembleia Nacional para a Mudança, apoiada pelo Nobel egípcio Mohamed ElBaradei.

"Agora, com a liberdade de formação de partidos políticos, é normal que os movimentos desapareçam, já que existiram pela fraqueza dos partidos políticos oficiais, e por isso é lógico que se envolverão em partidos", explicou Nafaa.

O analista prevê que estes movimentos "se enfraquecerão" e darão origem a novos partidos que serão muitos em princípio, mas que depois se unirão "até que seja elaborado um novo mapa para os partidos políticos no Egito".

Apesar de até agora tanto o Movimento 6 de Abril como a Coalizão dos Jovens da Revolução de 25 de Janeiro se recusaram a formar partidos, estes jovens nunca abandonarão sua luta para reformar o Egito.

"Não vamos permitir que roubem nossa revolução", assegurou a jovem ativista Hamdi.

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