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07/06/2011 - 21h03

Envolvido em novo escândalo, Palocci deixa Governo pela segunda vez

Eduardo Davis.

Brasília, 7 jun (EFE).- A presidente Dilma Rousseff perdeu nesta terça-feira um dos mais importantes membros de seu governo, Antonio Palocci, que renunciou ao cargo de ministro-chefe da Casa Civil devido a suspeitas de corrupção, assim como em 2006, quando era titular da pasta de Fazenda.

Palocci pediu afastamento com a certeza de que "a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo", segundo indicou uma nota de apenas três parágrafos divulgada pela Presidência.

Esse comunicado foi mais um capítulo de um escândalo que se arrastou durante 20 dias e explodiu quando o jornal "Folha de S. Paulo" revelou, baseando-se em documentos oficiais, que o patrimônio do agora ex-ministro se multiplicou vinte vezes entre 2006 e 2010.

Segundo o jornal, Palocci viu aumentar sua riqueza graças à empresa Projeto, uma firma de consultoria em finanças e investimentos que fundou em 2006, pouco após renunciar ao cargo de ministro da Fazenda em meio a um escândalo de corrupção pelo qual foi depois julgado e declarado inocente.

Também em 2006, Palocci foi eleito deputado por quatro anos, período no qual dirigiu a empresa, com a qual supostamente faturou cerca de R$ 20 milhões de reais somente em 2010, quando além disso foi coordenador da campanha eleitoral que levou Dilma ao poder.

Às denúncias da "Folha de S. Paulo" uniu-se outra publicada no fim de semana passado pela revista "Veja", segundo a qual o agora ex-ministro aluga em São Paulo um luxuoso apartamento de aproximadamente 400 metros quadrados que está no nome de um estudante que admitiu ser testa-de-ferro de uma pessoa "muito poderosa" que não quis identificar.

Além disso, Palocci adquiriu no fim do ano passado um apartamento em São Paulo no valor de US$ 4,2 milhões, o que também ajudou a pôr em dúvida as atividades de sua firma, da qual se suspeita que o permitiu acumular tal fortuna mediante tráfico de influência e outros delitos.

A oposição manteve Palocci sob fogo cruzado desde que foram publicadas as primeiras denúncias e chegou a pedir à Procuradoria Geral da República uma investigação sobre seu patrimônio.

Apesar das fortes pressões opositoras, o procurador-geral, Roberto Gurgel, decidiu nesta segunda-feira arquivar o caso, já que não achou indícios de delito penal.

Gurgel considerou que não havia "infração penal" pois a lei não classifica como delito a incompatibilidade entre o patrimônio e a renda declarada. No entanto, em outro parágrafo de sua explicação, reconheceu que se as denúncias contra Palocci fossem comprovadas, poderiam representar um ato de improbidade administrativa.

Fontes parlamentares consultadas pela Agência Efe reconheceram que essa opinião do procurador e o clima político adverso que enfrentava Palocci há vinte dias, levaram Dilma a pressionar pela renúncia do ministro, que pela segunda vez em sua vida passa por este processo.

Segundo analistas, esta segunda renúncia pode significar o fim da carreira política para Palocci, um médico de 50 anos que chegou a ser um dos mais importantes líderes do PT e que em 2006, antes de sua renúncia do Ministério da Fazenda, era considerado como o possível sucessor de Lula na Presidência.

No caso de Dilma, que assumiu o poder no começo do ano, a renúncia representa o primeiro trauma político de seu governo em apenas seis meses, e deixa uma ferida aberta em sua base parlamentar, pois nem todos os partidos da variada coalizão que a apoia se centraram na defesa do ex-ministro.

O lugar que Palocci deixou será ocupado pela senadora Gleisi Hoffmann, advogada de 46 anos e esposa do atual ministro de Comunicações, Paulo Bernardo.

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