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20/06/2011 - 14h37

Refugiados palestinos esperam poder retornar aos territórios ocupados

Jabalya (Faixa de Gaza), 20 jun (EFE).- Os palestinos lembram nesta segunda-feira o Dia Internacional do Refugiado, com a esperança de voltar algum dia às terras das quais foram despejados há mais de 60 anos com a criação do Estado de Israel.

Dependente de uma cadeira de rodas e incapaz de se movimentar ou articular qualquer palavra, Zaki Ateya al-Sherif, um refugiado de 80 anos, movimenta a cabeça em sinal negativo quando sua mulher, Zakeya, de 75, lhe pergunta se deseja ser enterrado neste campo de refugiados do norte da Faixa de Gaza.

"Ele quer dizer que prefere ser enterrado em nossa aldeia de Yebna", explica sua mulher, referindo-se à sua região de origem, entre Tel Aviv e Ashdod.

Zakeya tinha apenas 14 anos quando deixou, em 1948, a aldeia palestina, hoje uma cidade israelense chamada Yavne, com mais de 31 mil habitantes.

Sherif, Zakeya, seus sete filhos e seus netos vivem na mesma casa de dois quartos no campo de Jabalya desde que deixaram Yebna durante a primeira guerra entre árabes e israelenses, após a criação do Estado judeu.

O telhado de sua humilde casa, localizada em um estreito beco do campo de refugiados, é feita de amianto.

O campo de Jabalya, construído no início da década de 1950 pela Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) sobre uma área de 144,8 hectares ao nordeste da Cidade de Gaza, conta hoje com uma população de 176.286 refugiados, o que o transforma no maior e mais povoado da região.

"Ainda me lembro da noite em que deixamos Yebna. Meu pai nos disse que devíamos sair por um dia ou dois até que a guerra acabasse, quando poderíamos retornar. Aceitamos sair, mas nunca imaginamos que os dois dias iam se transformar em 63 anos", lembra Zakeya.

De acordo com estatísticas oficiais da UNRWA, o número de refugiados palestinos nos territórios ocupados, Líbano, Síria e Jordânia é de 4,8 milhões, o que representa 43,4% do número total de palestinos que vivem no mundo todo.

"A vida no campo de refugiados é mais dura que a que tínhamos em nossa cidade natal. Costumávamos trabalhar nos nossos próprios campos, onde cresciam oliveiras, trigo e cevada. A vida aqui nunca pode ser uma alternativa à vida lá e desejamos retornar mais cedo ou mais tarde", declarou.

Hussam Ahmed, funcionário do Departamento de Refugiados do movimento islâmico Hamas - que controla a Faixa de Gaza -, denuncia que, apesar das inúmeras resoluções da ONU para resolver a questão, "a ocupação israelense as ignorou".

"Sempre dissemos que a questão dos refugiados palestinos é responsabilidade da comunidade internacional e deve figurar como prioridade", afirmou.

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