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18/11/2011 - 01h17

Começa em Viena a reta final das negociações nucleares com o Irã

Agencia EFE
Jordi Kuhs e Luis Lidón.

Viena, 18 nov (EFE).- Em meio a uma grande expectativa, começou nesta terça-feira em Viena a última e decisiva rodada de negociações entre o Irã e seis potências para conseguir um acordo que ponha fim a 12 anos de litígio nuclear com a República Islâmica.

Em uma tentativa de acercar posições, as partes intensificaram seus contatos para assinar um acordo antes da data limite de 24 de novembro, embora sigam existindo grandes diferenças.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Yavad Zarif, reiterou hoje em Viena que o Grupo 5+1 - formado pelas cinco potências com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) mais a Alemanha - deve deixar de insistir em seus "exageradas condições".

Em todo caso, em entrevista à imprensa iraniana na capital austríaca, o ministro disse que um acordo continua sendo "factível".

Na manhã desta terça-feira, Zarif se reuniu com a antiga responsável de política externa da União Europeia (UE), Catherine Ashton, que coordena as negociações em nome do grupo internacional.

Após este primeiro encontro, o ministro iraniano destacou que houve "boas negociações, mas o progresso (nas conversas) dependerá da vontade política da outra parte", segundo a agência estatal de notícias "Irna".

Uma posição diametralmente oposta à visão europeia e americana, destacada hoje em Londres pelo ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, ao considerar que o Irã "deve mostrar mais flexibilidade" se pretende ter êxito nas negociações.

Em todo caso, não descartou a possibilidade de poder alcançar um acordo nos próximos seis dias.

"Como as negociações entram na fase final antes da data limite de 24 de novembro, acho que se pode chegar a um acordo", opinou Hammond em comunicado depois de se reunir com o secretário de Estado americano, John Kerry.

Por sua vez, Kerry destacou hoje na capital britânica que em Viena se vive uma "semana decisiva" para encontrar uma solução ao litígio nuclear.

Os dois ministros devem viajar para Viena nos próximos dias para participar ativamente nestas negociações.

Na parte da tarde, foram realizadas várias reuniões bilaterais entre Irã e membros do 5+1, embora não esteja previsto nenhum plenário com a participação de todas as delegações.

A analista americana Kelsey Davenport explicou hoje à Agência Efe em Viena que segue havendo "várias dificuldades" na negociação.

"No entanto, ainda resta uma semana, o que é muito tempo em termos diplomáticos", assegurou a especialista em não-proliferação do laboratório de ideias Arms Control Association.

Segundo Davenport, que segue de perto este processo negociador, os assuntos mais delicados para conseguir um acordo são o tamanho que teria o programa atômico iraniano e como seriam suspensas as sanções a Teerã após o pacto.

"Isso pode ser resolvido com um pouco de flexibilidade e criatividade, portanto acho que um acordo pode ser alcançado até 24 de novembro", comentou a analista.

Para Davenport, um desenlace provável é a assinatura de um "amplo acordo marco que exija um pouco mais de tempo para resolver questões técnicas".

"Aqueles (nos EUA e no Irã) que se opõem ao acordo devem saber que a alternativa é não conseguir nenhum acordo, e isso pode levar a uma escalada e, em último caso, a um maior confronto", advertiu.

O bloco ocidental teme que, sob o guarda-chuva de um programa civil, o Irã possa obter materiais e conhecimentos nucleares para fins militares.

A República Islâmica, cujas atividades atômicas clandestinas foram descobertas em 2003, nega estas acusações e assegura que tem apenas intenções pacíficas.

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