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Dez milicianos islamitas morrem em incursão por túnel a Israel

21/07/2014 03h29

Cerca de dez milicianos do Hamas morreram nesta segunda-feira (21) no sul de Israel em um confronto com soldados e policiais israelenses após terem entrado em um kibutz na fronteira através de um túnel vindos da faixa de Gaza, informaram fontes militares.

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

Os milicianos teriam cruzado esta manhã em dois comandos para o território israelense e se desdobraram nos arredores do kibutz Nir Am.

O "Canal 10" da televisão local informou que todas as estradas da região estavam bloqueadas à passagem de veículos durante as últimas duas ou três horas, enquanto soldados militares e policiais tentavam achar os dois comandos.

Toda a população israelense ao redor do noroeste da faixa continua fechada em suas casas por ordem das autoridades, que ainda não deram por terminada a busca.

Sempre segundo a versão do canal de televisão, os milicianos estavam fortemente armados e dispararam um foguete antitanque contra a patrulha que os descobriu.

Há dois dias, em um fato parecido, dois soldados israelenses morreram em um setor da fronteira um pouco mais ao sul, quando o comando palestino os surpreendeu.

Trata-se da quinta tentativa de milicianos nas últimas duas semanas de adentrar em território israelense por um dos túneis que cavaram nos últimos anos sob a fronteira com Gaza.

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados

Mais sobre o conflito entre Israel e o Hamas

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  • Mohammed Saber/Efe/Epa

    Batalha assimétrica

    O conflito entre militares israelenses e braços armados do Hamas e de outros grupos palestinos na faixa de Gaza é uma clássica batalha assimétrica. Os dois lados estão longe de serem equiparáveis em termos de poder de fogo, mas ainda assim podem exercer grande pressão um sobre o outro.

  • Arquivo pessoal

    Brasileiros na região

    A freira brasileira Maria Laudis teve que abandonar a igreja e todos seus pertences na casa onde morava na faixa de Gaza para proteger a própria vida. O imóvel ao lado de onde a religiosa pernambucana vivia foi alvo de um dos projéteis lançados por Israel.

Conheça os pontos da negociação entre Israel e palestinos

  • Reprodução/BBC

    Estado palestino

    Os palestinos querem um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, presença militar no Vale da Cisjordânia da Jordânia e manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores

  • Mohamad Torokman/Reuters

    Fronteiras e assentamentos judeus

    Os palestinos querem que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias (1967) e desmantele por completo os assentamentos judeus que avançam a fronteira, considerados ilegais pela ONU. Qualquer área dada a Israel seria recompensada. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceita deixar partes da Cisjordânia se puder anexar os maiores assentamentos.

  • Cindy Wilk/UOL

    Jerusalém

    Israel anexou a área árabe da Jordânia após 1967 e não aceita a dividir Jerusalém por considerar o local o centro político e religioso da população judia. Já os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do futuro Estado da Palestina. O leste de Jerusalém é considerado um dos lugares sagrados do Islã. A comunidade não reconhece a anexação feita por Israel.

  • Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos

    Refugiados

    Há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno", o que Israel rejeita por temer a destruição do Estado de Israel pela demografia. Já Israel quer que os palestinos reconheçam seu Estado.

  • Mahfouz Abu / EFE

    Segurança

    Israel teme que um Estado palestino caia nas mãos do grupo extremista Hamas e seja usado para atacar os judeus. Por isso, insiste em manter medidas de segurança no vale do rio Jordão e pedem que o Estado palestino seja amplamente desmilitarizado. Já os palestinos querem que seu Estado tenha o máximo de atributos de um Estado comum.

  • Abbas Momani/AFP

    Água

    Israel controla a maioria das fontes subterrâneas da Cisjordânia. Os palestinos querem uma distribuição mais igualitária do recurso.