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Ministro israelense pede alívio no assédio a Gaza, mas sem acordo com o Hamas

Em Jerusalém

15/08/2014 12h03

O líder ultranacionalista e ministro isralense de Economia, Naftalí Bennet, apontou como solução nesta sexta-feira (15) para a guerra em Gaza que Israel aceite aliviar o assédio ao local requerido pelo Hamas, mas não firme um acordo formal com o movimento islamita.

Em declarações divulgadas pelo jornal "Yedioth Ahronoth" ao término do Conselho de Ministros, Bennett disse que o alívio do assédio, que é exigido tanto pelo Hamas como pelo resto das facções palestinas e grande parte da comunidade internacional, deve ser apresentado como "uma decisão unilateral de Israel".

O jornal explica que "Bennett disse que Israel deve abrir as passagens fronteiriças e ampliar a zona de pesca unilateralmente, sem chegar a um acordo com o Hamas, que na sua opinião danificaria nosso direito a atacar os túneis", entre Gaza e o território israelense, que as tropas israelenses tratam de destruir.

Na sua opinião, qualquer tipo de pacto com o movimento islamita, que controla Gaza desde 2007, serviria "para fortalecer este grupo terrorista".

Emissários palestinos e israelenses negociam há dias no Cairo, com a mediação do Egito, um cessar-fogo que coloque fim a mais de um mês de ofensiva israelense, combates e lançamento de foguetes que provocaram a morte de mais de dois mil palestinos, em sua maioria civis, e de cerca de 70 israelenses, quase todos militares.

Desde que em 8 de julho quando começaram as hostilidades, o governo israelense assegura que o objetivo de seu Exército é destruir as plataformas de lançamento de foguetes e os túneis escavados pelas milícias palestinas entre Gaza e o território de Israel.

O Hamas e o resto das milícias palestinas insistem que sua meta é conseguir que o levantamento do bloqueio econômico e do ferrenho assédio militar imposto por Israel a Gaza há sete anos e que empobreceu a população.

A ofensiva, da qual Bennett foi um dos principais defensores, obrigou o deslocamento interno de mais de 250 mil pessoas e reduziu a escombros vários bairros da estreita Faixa, na qual vivem cerca de dois milhões de pessoas.

O bloqueio econômico impede a livre circulação de mercadorias e asfixia o comércio, em particular de materiais de construção, enquanto o assédio militar israelense por terra, mar e ar nega aos palestinos de Gaza o direito à liberdade de movimento.

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados