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Policiais dão as costas a prefeito de Nova York no funeral de agente assassinado

Policiais viram de costas para um telão que mostrava o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, durante o funeral do policial Rafael Ramos, assassinado há uma semana - Shannon Stapleton/Reuters
Policiais viram de costas para um telão que mostrava o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, durante o funeral do policial Rafael Ramos, assassinado há uma semana Imagem: Shannon Stapleton/Reuters

Em Nova York

27/12/2014 16h18

Um grupo de policiais deu as costas neste sábado ao prefeito de Nova York, Bill de Blasio, em sinal de protesto durante seu discurso no funeral do agente Rafael Ramos, assassinado há uma semana junto com seu parceiro, Wenjian Liu.

Os agentes, que presenciavam a cerimônia através de telões instalados no lado de fora da igreja onde se celebrou a cerimônia, se viraram quando De Blasio iniciou seu discurso.

O gesto é similar ao que dedicou ao prefeito um grupo de policiais em sua chegada ao hospital no qual morreram no sábado passado os dois agentes, após serem baleados a sangue frio por um homem que disse querer vingar a morte de cidadãos afro-americanos pelas forças da ordem.

O assassinato de Ramos e Liu disparou as tensões entre os sindicatos policiais e De Blasio, a quem os policiais criticam por sua compreensão perante os protestos organizados por causa da decisão de um grande júri de não apresentar acusações contra o agente envolvido na morte de Eric Garner, um negro que morreu em julho após ser imobilizado com uma chave de braço ilegal.

Uma das principais organizações policiais da cidade chegou a acusar o prefeito de ter "sangue em suas mãos" e hoje foi possível alguns cartazes pedindo sua renúncia no lado de fora da igreja.

Em seu discurso, De Blasio ofereceu suas condolências às famílias das vítimas e a todo o Departamento de Polícia de Nova York, ao qual louvou por seu trabalho.

"Aqueles que se dedicam a proteger os demais pertencem a uma raça especial", disse o prefeito, que assegurou que Nova York perdeu "um herói" com a morte de Ramos.

Ramos foi assassinado junto com seu parceiro, Wenjian Liu, de 32 anos, por um negro chamado Ismaaiyl Brinsley, de 28 anos, que se suicidou pouco após cometer o duplo assassinato no distrito nova-iorquino de Brooklyn.

Brinsley, que sofria problemas mentais, atuou invocando o nome de dois negros que morreram em ações da polícia, um deles Eric Garner, em Nova York, em julho, e o outro Michael Brown, em Ferguson (Missouri), em agosto.

O assassinato dos dois policiais aconteceu no meio de uma onda de manifestações em Nova York e em outros lugares do país pelas mortes de Garner e de Brown, que fizeram renascer tensões raciais não vistas no país em vários anos.