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Presidente do Iêmen abandona sua casa em Sana após ataque dos houthis

2015-02-21T16:00:00

21/02/2015 16h00

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Sana, 21 fev (EFE).- O ex-presidente do Iêmen, Abdo Rabbo Mansour Hadi, abandonou a capital Sana neste sábado em direção à cidade de Áden depois que membros do movimento rebelde xiita dos houthis intensificaram o cerco que mantêm a sua casa há semanas, informou à Agência Efe uma fonte próxima ao político.

Por sua parte, várias testemunhas disseram à Efe que puderam ver os rebeldes saírem da residência do ex-presidente com vários pertences e que escutaram disparos.

A ministra de Informação iemenita, Nadia al Saqaf, confirmou em mensagem publicada no Twitter que Hadi já chegou a Áden.

Além disso, acrescentou que os houthis mandaram reforços a suas posições que cercam as residências do ex-primeiro-ministro Khaled Bahah e do ex-ministro das Relações Exteriores, Abdullah Mohammed al Saidi, que também renunciaram ao seu cargo junto com Hadi e todo o governo em janeiro, devido à pressão dos rebeldes xiitas.

Em um comunicado, os houthis condenaram a fuga de Hadi, o que em sua opinião "demonstra a certeza das medidas adotadas em 6 de fevereiro", quando o grupo dissolveu o Parlamento e formou um Comitê Supremo Revolucionário que lançou uma declaração constitucional para assumir o poder de forma unilateral.

Segundo a declaração, será formado um conselho presidencial dos houthis para governar o país interinamente por dois anos.

Os rebeldes disseram ainda que a fuga de Hadi ressaltou que sua renúncia foi apenas para "provocar a degeneração da pátria a favor dos interesses estrangeiros".

De acordo com a agência estatal "Saba", Mansur Hadi escapou da residência presidencial de Sana em direção a Áden disfarçado.

O Comitê Supremo Revolucionário dos houthis, acrescentou a "Saba", realizou uma reunião para discutir a maneira como o ex-presidente deveria se disfarçar.

O redator-chefe do jornal "Al Masar", Osama Sari, que pertence às milícias xiitas, afirmou em sua conta no Twitter que Hadi deixou sua residência em Sana disfarçado de uma mulher com hijab (véu islâmico que só deixa os olhos à mostra).

Segundo as tradições iemenitas, as mulheres só podem ser abordadas por policiais do sexo feminino.

Uma fonte diplomática disse à Efe que os houthis renderam o ex-secretário de Informação da Presidência, Yehia al Arsi, que também renunciou.

Além disso, o grupo mantém em seu poder sete familiares de Hadi, dois homens, três mulheres e dois menores, que viajavam em um veículo pela estrada que une Sana com Áden.

Ontem, o enviado especial da ONU no Iêmen, Jamal Benomar, anunciou que as diferentes facções políticas do país decidiram formar um conselho interino para resolver a atual crise, depois que os houthis começaram um dia antes a formar as instituições do Estado de forma unilateral.

Em comunicado enviado à imprensa, Benomar explicou que esta nova formação se denominará Conselho Interino do Povo e incluirá facções não representadas no atual Conselho de Deputados, entre elas os houthis.

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