Últimas vitórias permitem vislumbre de uma derrota do EI em 2016 no Iraque

Yasser Yunis.

Mossul (Iraque), 1 jan (EFE).- O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) sofreu recentemente derrotas no terreno e importantes baixas em suas fileiras no Iraque, o que levou as autoridades a prever seu fim em 2016, uma missão que apesar de tudo não se apresenta fácil já que se estende também ao território sírio.

Após o anúncio esta semana da libertação da cidade de Ramadi, na qual ainda restam, no entanto, concentrações de jihadistas, o primeiro-ministro iraquiano, Haidar al Abadi, afirmou que em 2016 o EI será eliminado e todas as áreas em seu poder serão recuperadas.

Mais cautelosos, embora otimistas, se mostraram o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que qualificou de "importante vitória" a tomada de Ramadi, e o ministro de Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, que disse ontem que a ofensiva começa a dar frutos.

Os próximos alvos no Iraque são outras povoações da província de Al-Anbar, cuja capital é Ramadi, e a região setentrional de Ninawa, onde o EI tem seu principal feudo na cidade de Mossul, que conquistou em junho de 2014.

Para o analista militar Amre al Youssef, 2016 será "o ano da determinação e do fim do EI", sobretudo se a Rússia junto com outras forças internacionais libertarem Al Raqqa e outras cidades sírias ocupadas pelo grupo terrorista.

A Rússia só efetua bombardeios na Síria, enquanto a coalizão internacional liderada por Washington ataca há 15 meses as posições dos jihadistas nos dois países nos quais o EI proclamou um califado no final de junho de 2014.

Apenas hoje, pelo menos 50 terroristas morreram e dezenas ficaram feridos em bombardeios da coalizão internacional em várias zonas de Ninawa, segundo responsáveis curdos, que assinalaram que estes ataques são para facilitar iminentes operações terrestres.

Centrando-se no Iraque, Youssef explicou à Agência Efe que "a libertação de Ramadi elevou o moral das tropas e provocou desalento entre os membros do EI pela perda de um grande número de combatentes e de munição e equipamento".

"Com a libertação de Ramadi se esfumou o perigo da ocupação da capital, Bagdá, que sempre corria o risco de ser tomada quando o EI controlava Ramadi", ressaltou.

O analista opinou que agora o exército iraquiano pode dedicar tropas a recuperar outras cidades e que por isso começou "a contagem regressiva para a libertação de Mossul".

Essa é agora a única capital provincial que escapa do controle do governo, depois que os jihadistas perderam Ramadi e também Tikrit, a capital de Saladino, no final do mês de março.

Segundo o presidente do comitê de segurança de Ninawa, Mohammed al Bayati, a libertação desta província é "a próxima missão": "As autoridades já realizaram os preparativos militares para a próxima batalha", acrescentou.

Por exemplo, já chegaram 250 veículos militares do tipo Hummer à sede do comando de operações de Ninawa em Majmur, enviados pelas forças americanas, que forneceram também armas e munição.

O responsável de segurança revelou à Efe também que novas tropas se desdobraram na sede de operações da província e que terminarão sua formação nos próximos dias.

Além disso, explicou que milhares de combatentes da polícia local serão transferidos aos arredores meridionais de Mossul para participar da ofensiva, após terminar sua formação com especialistas e treinadores militares internacionais.

Al Bayati ressaltou que o governo está disposto a derrotar o EI "nos próximos meses" após suas vitórias em Al-Anbar e na cidade de Biji, em Saladino, sede da maior refinaria do país.

As boas notícias e a confiança no Iraque, que permitem pensar no fim do califado em 2016, embora provavelmente não do grupo terrorista como tal, ficam lastradas, no entanto, pela situação na Síria, onde o EI não cedeu muito terreno.

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