Centenas de jovens fogem do califado no Iraque para lutar contra EI

Yasser Yunis.

Mossul (Iraque), 2 jan (EFE).- Centenas de jovens fugiram na última semana dos feudos do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque para se unir às forças de segurança na luta contra os jihadistas, que entre outras atrocidades forçaram o deslocamento de dois milhares de famílias.

Os terroristas endureceram seus atos de vingança contra a população depois de os bombardeios da aviação de combate iraquiana e da coalizão internacional matarem em dezembro centenas de seus combatentes e líderes na região de Al Qayara.

Este distrito, na província de Ninawa, do qual dependem várias localidades, se transformou no segundo reduto, em importância, do EI no norte do Iraque, depois da cidade de Mossul.

Um dos jovens que fugiu do EI e se uniu à milícia rival Multidão Popular dos Clãs é Omar Khaled Al Luhaibi, de 23 anos, e original da cidade de Al Hut, em Al Qayara.

Luhaibi explicou à Agência Efe que os jihadistas começaram a aterrorizar os moradores de Al Qayara e especialmente de Al Hut depois das centenas de baixas que os bombadeios causaram em suas fileiras os bombardeios.

O EI deteve mais de 400 jovens, alguns antigos policiais e seus familiares, e depois os executou, segundo Luhaibi, que garantiu que os moradores da região estão "fartos destas práticas desumanas".

Por isso esperam a pronta liberação da região do jugo jihadista, e centenas de jovens que conseguiram fugir se somaram às forças de segurança iraquianas para lutar contra o grupo terrorista liderado por Abu Bakr al Bagdadi.

O responsável pela Multidão Popular dos Clãs no sul de Mossul, Fares Al Sabaui, confirmou à Efe que dezenas de jovens cruzaram o rio nos últimos dias em direção a região de Al Majmur, fugindo do EI.

Ele relatou que esses jovens chegaram para se unir a esta milícia sunita, que os dará formação militar, cansados das atrocidades cometidas pelos jihadistas e das restrições a que são submetidos.

Segundo Al Sabaui, o EI matou milhares de jovens que pertenciam aos aparatos de segurança e a outros por acusações como espionagem para o governo iraquiano, roubo e blasfêmia.

Os casos de fuga e repressão aumentaram em Al Qayara após a execução pelos jihadistas, há exatamente uma semana de quatro adolescentes, que tinham entre 13 e 15 anos.

Foram assassinados por ter tentado fugir dos domínios do califado, como o EI os territórios sob seu controle no Iraque e na Síria, para se unirem as forças do governo.

O presidente do governo de Al Qayara, Saleh al Jabouri, disse à Efe que estes adolescentes foram executados a tiros em frente de suas famílias perto de Al Hut, 50 quilômetros ao sul de Mossul.

Os jihadistas decidiram também aplicar um castigo coletivo à população de Al Hut, e expulsaram duas mil famílias de suas casas.

O prefeito lamentou que estas famílias não tenham onde se refugiar e que o grupo jihadista as tenha impedido até de levar seus bens.

Os membros do EI incendiaram também em Al Hut algumas casas que pertenciam a soldados das forças de segurança: "A cidade está vazia", lamentou Jabouri.

O grupo terrorista espera as iminentes operações das forças iraquianas contra Ninawa, depois de elas terem recuperado, há uma semana, a cidade de Ramadi, capital da província ocidental de Al-Anbar.

Várias milícias se preparam em Ninawa para participar da ofensiva, entre elas a Multidão Popular dos Clãs, que colabora com as autoridades; e a Multidão Nacional, que atua independente e conta com a assessoria da Turquia.

O primeiro-ministro iraquiano, Haidar al Abadi, previu após a tomada de Ramadi que a derrota do EI vai acontecer em 2016, e ressaltou que o exército, junto com as milícias sunitas, xiitas e as forças curdas "peshmergas" serão "os protagonistas destas vitórias". EFE

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