Partido de Sarkozy quer obrigar assimilação de cidadãos naturalizados

Paris, 2 jan (EFE).- Os Republicanos, partido da direita francesa liderado pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, quer constitucionalizar o princípio da "assimilação" para todos os que adquirirem a nacionalidade para blindar juridicamente a obrigação de assumir "os valores republicanos".

Em meio ao debate entre a maioria socialista sobre a proposta do presidente, François Hollande, de retirar a nacionalidade francesa dos binacionais condenados por terrorismo, mesmo que tenham nascido na França, os republicanos destacaram neste sábado sua "aposta na assimilação".

Em comunicado, defenderam a proposta de lei apresentada por um de seus deputados, Guillaume Larrive, que pretende "integrar a noção de assimilação na Constituição para permitir sua aplicação ao conjunto dos modos de aquisição da nacionalidade francesa".

A ideia de Larrive é que na Carta Magna se diga que "ninguém pode adquirir a nacionalidade francesa se não justificar sua assimilação à comunidade francesa", que agora já figura no Código Civil.

Para este deputado e para seu partido, ao constitucionalizar esse princípio, a aquisição da nacionalidade para os estrangeiros nascidos na França já não teria o caráter automático atual, mas estaria condicionada a que manifestassem explicitamente sua vontade de sê-lo e a que o Estado não tivesse razões para opor-se.

Além disso, a retirada da nacionalidade dos binacionais não necessitaria da adoção de nenhuma lei, mas teria efeito imediato quando a pessoa fosse autora de um crime de terrorismo ou de qualquer "atentado contra os interesses fundamentais da nação".

Isso incluiria, por exemplo, os que se integraram em grupos jihadistas na Síria ou no Iraque, mas também os condenados por terrorismo, de modo que poderiam ser expulsos de forma definitiva da França.

Os republicanos explicaram que "a assimilação não quer dizer o abandono de sua própria cultura", mas especificaram que qualquer particularismo "não pode, de nenhuma maneira, contradizer nossa identidade política baseada no direito e na lei".

"Se tornar francês não é um simples processo moral ou caridoso. Exige o respeito dos valores republicanos que proclamam a emancipação e não a retirada", argumentaram.

Com esta iniciativa, o partido de Sarkozy procura tomar distância da intenção de Hollande de reformar a Constituição para incluir o estado de emergência e a retirada da nacionalidade dos binacionais condenados por terrorismo.

O presidente, que anunciou essa reforma três dias depois dos atentados jihadistas de 13 de novembro em Paris, enfrenta uma forte oposição em seu partido contra essa medida, embora várias enquetes tenham colocado em evidência que é amplamente apoiada também entre os eleitores socialistas.

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