Clérigo xiita foi enterrado em local secreto pela Arábia Saudita, diz família

Cairo, 3 jan (EFE).- As autoridades sauditas enterraram o destacado clérigo xiita Nimr Baqir al Nimr de "forma secreta", sem informar a sua família sobre o local do sepultamento, após tê-lo executado ontem em Riad, disse neste domingo à Agência Efe um irmão do xeque.

Em uma conversa por telefone, Mohammed Baqir al Nimr afirmou que seu irmão "foi enterrado de forma secreta e desconhecemos o local de seu túmulo" na Arábia Saudita.

"Os serviços de segurança nos ligaram ontem para informar que o xeque foi enterrado em um cemitério muçulmano, sem nos dizer se foi sepultado em Riad (a capital) ou em Al Qatif (sua cidade natal no leste do país)", relatou.

Além disso, acrescentou que a execução de Al Nimr foi "uma grande surpresa" para a família, porque esta tinha esperanças que o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud interviesse a seu favor e que finalmente houvesse uma "solução política" de seu caso.

Al Nimr foi condenado à morte por desobedecer às autoridades e instigar a violência sectária, após ter apoiado os protestos contra as autoridades sauditas em Al Qatif, no leste do país e de maioria xiita.

Seu irmão considerou que a execução do clérigo, junto a outras 46 pessoas de forma simultânea, não está justificada porque Al Nimr "jamais utilizou nem estimulou a violência".

A maioria dos executados ontem era de extremistas sunitas, entre os quais havia alguns destacados membros da organização Al Qaeda, todos eles acusados de terrorismo.

"Neste âmbito regional caracterizado pelo sectarismo, seu nome foi introduzido entre pessoas cujas mãos estão manchadas de sangue para semear confusão e satisfazer extremistas sunitas", lamentou o irmão do clérigo xiita.

Mohammed ressaltou que Al Nimr foi incluído pelas autoridades na lista de executados ontem para transmitir a mensagem que o Estado está lutando contra todos os radicais e não só os sunitas, como os jihadistas do grupo Estado Islâmico.

A Arábia Saudita é um país de maioria sunita e o governo aplica uma estrita versão da sharia, ou lei islâmica, e em 2015 executou mais de 150 pessoas, segundo organizações de direitos humanos.

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