Mediadores entre facções talibãs assinam cessar-fogo no Afeganistão

Cabul, 3 jan (EFE).- Representantes dos talibãs afegãos leais ao mulá Mansur e dos dissidentes liderados por Rasul chegaram a um acordo de cessar-fogo e de repartição de poder, após meses de uma guerra aberta que deixou mais de 200 mortos em ambas as facções, informaram fontes insurgentes neste domingo à Agência Efe.

O porta-voz do principal grupo talibã, Zabiullah Mujahid, disse que a decisão foi tomada durante uma recente reunião no Afeganistão e que sua formação assinou os pontos estipulados pelos mediadores, apesar do outro lado ainda precisar emitir uma aceitação "oficial".

A nomeação de Mansur como chefe talibã após a divulgação, no final de julho, de que o fundador do movimento, mulá Omar, tinha morrido em abril de 2013 foi reconhecida pela grande maioria, mas questionada por vários grupos, e alguns deles romperam.

"Aqueles que durante alguns meses não estiveram contentes com o Emirado (Islâmico do Afeganistão, como denominam a si mesmos os talibãs), queremos que voltem a se unir a nós e sirvam em nossas fileiras", manifestou Mujahid.

O porta-voz detalhou que o líder de sua formação, o mulá Mansur, não participou do encontro por razões de segurança.

Os representantes, diversos ulemás (doutores na fé islâmica), decidiram que todos os membros devem aceitar a liderança de Mansur, além da "completa" proibição de assassinatos entre os dois grupos, indicou uma fonte talibã que preferiu manter o anonimato.

A fonte confirmou que ainda há grupos rompidos que não aceitam Mansur como líder e que não participaram do encontro.

"Continuaremos vingando todos esses mujahedins que foram mortos por Akhtar Mansur nos últimos meses", disse à Efe um membro de um desses grupos dissidentes.

Mansur iniciou em novembro uma ofensiva definitivamente planejada para dominar militarmente seus críticos na província de Zabul, no sul do país, que se traduziu em um grande número de baixas nas fileiras das facções, e quando morreu o número dois de Rasul, o mulá Dadullah.

Os enfrentamentos entre as facções estavam se produzindo em vários pontos do país desde a nomeação do novo líder talibã.

O governo afegão afirmou no começo de dezembro que Mansur, chefe militar de Omar e número dois dos talibãs até julho, tinha ficado gravemente ferido em um enfrentamento no Paquistão, o que foi negado pelo grupo insurgente.

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