Chavistas abandonam sede do parlamento alegando "violação do regulamento"

Caracas, 5 jan (EFE).- Os deputados eleitos do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) deixaram nesta terça-feira a sessão de instalação do parlamento venezuelano alegando uma violação do Regulamento de Interior e Debates da Assembleia Nacional (AN).

O deputado e ex-presidente da AN Diosdado Cabello afirmou que a bancada da Mesa da Unidade Democrática (MUD) incorreu em "uma violação flagrante" do regulamento.

"Esta sessão de hoje é de instalação, e não estava previsto nenhum direito de palavra adicional", declarou ele à imprensa após deixar o plenário.

Cabello acusou o novo presidente do parlamento, Henry Ramos Allup, de preferir "a violação" ao invés de fazer cumprir a norma ao dar direito de palavra ao deputado Julio Borges, opositor ao governo de Nicolás Maduro.

"O presidente da Assembleia tem dentro de suas atribuições, e está escrito também no regulamento, a possibilidade de convocar sessões extraordinárias para (um prazo de) 24 horas ou, se o caso for de extrema urgência, no mesmo dia", frisou.

O deputado do PSUV argumentou que na legislação interna da AN está descrito o protocolo das sessões de instalação do novo parlamento.

Cabello acrescentou que a retirada "não aconteceu por capricho", pois antes foi feita uma reivindicação formal através do chefe da bancada do PSUV, Héctor Rodríguez, "para que fosse cumprido o regulamento". "Mas ele (Ramos Allup) foi omisso", acusou.

O parlamentar governista disse que o que interessa a Ramos Allup "é provocar", e que deu o direito de palavra a Julio Borges como "um prêmio de consolação porque foi derrotado". Cabello se referiu assim ao fato de que Ramos Allup foi eleito pela bancada opositora como presidente da AN em detrimento de Borges, com quem concorreu.

Os deputados eleitos na última eleição tomaram posse hoje de seus cargos para uma legislatura que encerra a hegemonia parlamentar chavista dos últimos 17 anos. A oposição obteve em 6 de dezembro 112 cadeiras na Assembleia Nacional, e os candidatos do governo conseguiram 55.

No entanto, ainda não está claro o que vai acontecer com as quatro credenciais dos deputados impugnados do estado de Amazonas - três opositores e um chavista -, que não foram aceitas inicialmente na instalação da nova assembleia.

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