Começa a instalação do novo parlamento venezuelano com maioria opositora

Caracas, 5 jan (EFE).- A cerimônia de instalação da nova Assembleia Nacional da Venezuela começou nesta terça-feira, em uma sessão na qual assumirão seus cargos os deputados eleitos nos pleitos parlamentares do último dia 6 de dezembro, e onde a oposição será a maioria pela primeira vez em 17 anos.

Uma comissão revisa cada uma das credenciais dos deputados eleitos para dar continuidade à cerimônia de juramento dos novos parlamentares para os próximos cinco anos, em um ato emoldurado por um clima de tensão que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu ontem à noite que fosse deixado de lado.

A maioria dos parlamentares chegou à sede do Palácio Legislativo acompanhados por eleitores, mas outros chegaram separado das concentrações, como o deputado Henry Ramos Allup, um dos mais ferrenhos opositores, que será o novo presidente da AN, depois que os 112 deputados opositores lhe elegessem para o cargo no domingo passado.

No interior do plenário do parlamento foram retirados os quadros do herói independentista Simón Bolívar e do falecido presidente Hugo Chávez.

Dentro das instalações do parlamento já estão o ex-presidente colombiano Andrés Pastrana e o presidente da Mesa Direção do Senado mexicano, Roberto Gil Zuarth, que foram convidados à sessão pela aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Também estão presentes Lilian Tintori, Mitzy Capriles e Patricia Gutiérrez, esposas dos dirigentes opositores presos Leopoldo López, Antonio Ledezma e Daniel Ceballos, além de prefeitos e governadores da oposição como o duas vezes candidato presidencial Henrique Capriles.

A primeira-dama da Venezuela e também deputada eleita, Cilia Flores, chegou acompanhada pelo presidente em fim de mandato da AN, Diosdado Cabello, que assegurou que a bancada chavista está preparada para cumprir de maneira "estrita" a Constituição e o regulamento interno e de debate do parlamento.

Cabello fazia referência à entrada na sede da AN dos três deputados opositores que foram impugnados perante o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), órgão que suspendeu o ato de totalização, adjudicação e proclamação dos candidatos e da representação indígena eleitos pelo estado Amazonas, que inclui um deputado chavista.

"Há uma decisão firme do TSJ, máxima instância judicial deste país, que suspende a proclamação e juramento de qualquer ato onde participe as pessoas eleitas no Amazonas", disse Cabello a jornalistas.

As forças opositoras anunciaram ainda que seus dirigentes decidiram em julho do ano passado dar-se a partir de hoje um lapso de seis meses para definir "a via constitucional" para uma saída antecipada do poder de Maduro, eleito em abril de 2013 para um mandato que termina em 2019.

Grupos de ativistas ligados ao chavismo e à oposição se concentraram hoje desde as primeiras horas da manhã no centro de Caracas para acompanhar os deputados na posse de seus cargos, uma manifestação que é acompanhada por dezenas de membros da polícia e da Guarda Nacional Bolivariana.

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