Começa julgamento do ex-primeiro-ministro moldávio acusado de corrupção

Moscou, 5 jan (EFE).- O julgamento do ex-primeiro-ministro moldávio Vlad Filat, acusado de aceitar mais de US$ 40 milhões em subornos para permitir o roubo de US$ 2 bilhões de dinheiro público, começou nesta terça-feira em Chisinau.

O ainda líder do europeísta Partido Liberal Democrático (PLD), que foi primeiro-ministro entre 2009 e 2013, chegou ao tribunal entre fortes medidas de segurança, escoltado por uma unidade de forças especiais.

A audiência devia ter começado em 29 de dezembro, mas três magistrados se negaram a julgar o caso e o julgamento foi adiado até hoje.

O Centro Nacional de Luta contra a Corrupção acusa Filat de ter cobrado US$ 40 milhões em subornos que saíram do Banco de Economii (BEM), subsidiado pelo governo do PLD com US$ 2 bilhões apesar de ter certeza de que seus fundos eram desviados ao estrangeiro.

Depois que três bancos integrados em um mesmo grupo, entre eles o BEM, acabaram com US$ 1 bilhão de dinheiro público entre 2012 e 2013, o governo de Iurie Leanca, número dois do PLD e sucessor de Filat no cargo, assinou um decreto secreto para emprestar outros US$ 1 bilhão.

Quando se soube que esse dinheiro também tinha desaparecido, o governo europeísta liderado pelos liberais-democratas teve que reconhecer que tinha emprestado dinheiro às três entidades corruptas.

Filat foi detido em meados de outubro depois que um dos empresários envolvidos no escândalo, Ilan Shor, que se tinha entregado às autoridades, apontou o ex-primeiro-ministro como responsável de permitir a injeção de dinheiro público nos três bancos.

A detenção do presidente liberal-democrata rompeu a coalizão europeísta que governava Moldávia desde julho e o governo de Valeri Strelets, também do PLD, foi cassado no final de outubro mediante uma moção de censura, apoiada por seus até então parceiros do Partido Democrata (PD).

Desde então, as três formações pró-ocidentais da Moldávia (PLD, PD e o Partido Liberal) não foram capazes de entrar em acordo para formar um novo Executivo.

Ontem mesmo teve que ser suspensa no parlamento a sessão de posse do liberal Ion Sturza, designado de forma unilateral como candidato a primeiro-ministro pelo presidente moldávio, Nicolae Timofti.

A maioria dos 101 deputados que compõem o Legislativo da antiga república soviética não foram ao plenário e forçaram assim a suspensão da posse ao não contar com o quórum necessário para sua realização.

Se em outros 25 dias, antes de 29 de janeiro, a Moldávia não for capaz de formar um governo, o presidente convocar novas eleições.

Fartos da corrupção, milhares de pessoas protestam desde o final de setembro em Chisinau para exigir a convocação de pleito antecipado e que o chefe de Estado, que agora se designa pelo parlamento, seja eleito mediante sufrágio universal.

A plataforma Dignidade e Justiça que lidera os protestos exige a devolução do dinheiro e a renúncia dos dirigentes de toda uma série de organismos e instituições públicas, entre eles do Banco Central, da Procuradoria Geral, da Comissão Anticorrupção e do serviço de Alfândegas.

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