Justiça chilena condena 4 ex-agentes de Pinochet por sequestros na ditadura

Santiago do Chile, 5 jan (EFE).- A Corte de Apelações de Santiago confirmou nesta terça-feira as penas de prisão decretadas para quatro ex-agentes da polícia secreta de Augusto Pinochet, por sua responsabilidade no sequestro qualificado (desaparecimento) de Francisco Rozas Contador e Renato Sepúlveda Guajardo, informaram fontes judiciais.

A justiça rejeitou os recursos apresentados pelos acusados contra a sentença em primeira instância e confirmou a pena de 15 anos e um dia de prisão contra o brigadeiro Pedro Espinoza Bravo pelos dois crimes.

Além disso, confirmou a pena de 10 anos e um dia de prisão para o ex-coronel Rolf Wenderoth Pozo e para o brigadeiro Miguel Krassnoff Martchenko, considerados autores do sequestro qualificado de Sepúlveda Guajardo.

O general reformado Raúl Iturriaga Neumann recebeu 10 anos e um dia pelo autor do sequestro qualificado de Rozas Contador.

Os quatro condenados fizeram parte da cúpula da direção da Inteligência Nacional (Dina), a polícia secreta de Pinochet, e acumulam penas de mais de 200 anos de prisão, por terem sido condenados em dezenas de julgamentos por violações aos direitos humanos.

Além disso, o tribunal ratificou a absolvição de Gerardo Urrich González, por não ter comprovado sua participação em ambos os delitos.

Renato Sepúlveda Guajardo, estudante de medicina da Universidad de Chile, foi preso quando tinha 21 anos por sua participação no Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), em 12 de dezembro de 1974 na sede norte da Faculdade de Medicina, no meio da aula.

Após sua detenção, foi trasladado ao recinto conhecido como "Venda Sexy" e depois ao centro de detenção "Vila Grimaldi".

Francisco Javier Alejandro Rozas Contador, fotógrafo de 22 anos, também militante do MIR, foi detido por agentes da Dina em 20 de dezembro de 1974 dentro de sua casa, no centro de Santiago, e levado ao quartel "Venda Sexy".

Durante a ditadura de Pinochet (1973-1990), segundo relatórios oficiais, cerca de 3.200 chilenos morreram nas mãos de agentes do Estado, 1.192 constam até hoje como detidos desaparecidos, e 33 mil foram torturados e presos por causas políticas.

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