Alemanha cogita reduzir fluxo de refugiados após recorde histórico

Berlim, 6 jan (EFE).- A Alemanha colocou, entre seus principais objetivos de política migratória para este ano, reduzir o fluxo de refugiados que chegam ao país, depois de 2015 registrar o recorde histórico de um milhão de solicitantes de asilo, disse o ministro do Interior, Thomas de Maizière, nesta quarta-feira.

O objetivo este ano é "reduzir, ordenar e dirigir de forma eficiente o fluxo de refugiados", declarou Maizière na apresentação do Relatório sobre Migração de 2014, sobre o qual falou brevemente antes de abordar os dados mais recentes.

Maizière qualificou de "elevada demais" a dimensão dos números de refugiados ano passado e ressaltou a necessidade de que esta situação "não se repita" em 2016.

Se em 2014 a imigração registrou números recorde desde 1992, 2015 baterá o recorde histórico desde que foram introduzidos os registros na República Federal da Alemanha (Alemanha) em 1950, principalmente pela chegada de refugiados, ressaltou.

Segundo dados do chamado sistema Easy, que dá conta das pessoas chegadas ao país com a intenção de solicitar asilo, o número de refugiados superou o milhão.

No entanto, o ministro estimou que o número real de refugiados chegados à Alemanha em 2015 ficou abaixo disso, já que o sistema não leva em conta a duplicidade de registros ou o trânsito de peticionários para um terceiro país.

Foram 477 mil solicitações de asilo efetivamente apresentadas ano passado, 135% a mais que em 2014.

No entanto, lembrou que este dado é provisório, já que o procedimento para pedir formalmente asilo registra um considerável atraso pela massa de refugiados.

Sobre a origem destas pessoas, assinalou que, enquanto na primeira metade do ano 40% dos solicitantes eram dos Bálcãs Ocidentais, esta porcentagem caiu para menos de 2% após os países dessa região serem qualificados como de origem segura.

Assim, em termos globais, em 2015 os refugiados registrados pelo sistema Easy procediam: 40% da Síria, 14% do Afeganistão e 11% do Iraque, seguidos por Albânia, Kosovo, Irã, Paquistão, Eritreia, Sérvia e Macedônia.

Em dezembro, com uma entrada média diária de 3.300 solicitantes de asilo, se observou um novo fenômeno, o aumento da chegada de peticionários marroquinos e argelinos, indicou.

Maizière atribuiu a queda em dezembro do número de refugiados chegados à Alemanha principalmente a fatores climatológicos, mas também às primeiras tentativas da Turquia de reduzir a quantidade de pessoas que sem do país rumo à União Europeia (UE).

Em relação ao reagrupamento familiar, o número em 2014 foi de 64 mil pessoas, não tão maior que os 56 mil contabilizados um ano antes.

Entre janeiro e dezembro de 2015, superaram as 50 mil, o que "em termos globais não representa um problema excessivamente grande para a Alemanha", afirmou o ministro.

Inclusive se o número de refugiados diminuir consideravelmente em 2016, fica uma tarefa "enorme de longo prazo", de integrar as pessoas com direito a permanecer no país, lembrou.

Neste sentido, ressaltou que, além de melhorar a gestão em matéria de refugiados e reduzir o número de solicitantes de asilo, um dos principais objetivos deste ano é dedicar esforços à integração.

Além do asilo e do reagrupamento familiar, o relatório inclui dados de imigrantes pela liberdade de movimento vigente na União Europeia e por razões trabalhistas.

Assim, em 2014, o número de imigrantes chegados à Alemanha, principalmente de Romênia, Polônia e Bulgária, mas também do sul, como Itália e Espanha, seguiu constituindo o grosso, com 60% do total de 1,46 milhão de estrangeiros que entraram no país.

Em 2015 este percentual provavelmente diminuirá, mas não por uma queda no número de cidadãos desses países, mas pela "desproporcional chegada de refugiados", precisou o ministro.

Os imigrantes provenientes de Estados fora da UE e que não entram na categoria de refugiados constituem a menor parte, menos de 40 mil em 2014 em termos de imigração líquida.

De acordo com o relatório, em 2014 mais de 900 mil pessoas - alemães e estrangeiros - saíram do país, o que deixou a imigração líquida em 550 mil pessoas.

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