Coreia do Norte anuncia avanço com bomba H em meio a dúvidas de especialistas

(Corrige título)

Andrés Sánchez Braun.

Tóquio, 6 jan (EFE).- A Coreia do Norte garantiu nesta quarta-feira ter dado um grande salto dentro de seu programa armamentício ao alegar que detonou com sucesso sua primeira bomba H, apesar de especialistas e diversas entidades duvidarem que Pyongyang tenha conseguido desenvolver esta tecnologia.

Caso a afirmação esteja certa, a posse de uma bomba de hidrogênio (mais potente que as testadas pelo regime norte-coreano em 2006, 2009 e 2013) aumentaria o desafio que a Coreia do Norte insistentemente faz à comunidade internacional.

As autoridades sul-coreanas duvidam disso e destacaram que a detonação realizada hoje no Centro de Testes Nucleares de Punggye-ri (no nordeste do país), às 10h (hora local; 23h30 de terça-feira em Brasília), foi menos potente que o teste atômico anterior, realizado neste mesmo local em fevereiro de 2013.

"É necessário fazer uma boa análise e será preciso tempo. Para concluir se foi uma explosão termonuclear ou não, serão necessários pelo menos dois dias, pode ser que inclusive uma semana", disse à rede de televisão japonesa "NHK" o chefe do Centro de Pesquisas para a Abolição de Armas Nucleares da Universidade de Nagasaki, Tatsujiro Suzuki.

A bomba H (também chamada de hidrogênio ou termonuclear) se diferencia das bombas de fissão elaboradas originalmente nos anos 40 por utilizar um primeiro dispositivo de fissão para propiciar depois uma reação maior - a fusão de átomos de hidrogênio - o que multiplica seu poder devastador.

Devido a sua maior eficiência e capacidade destrutiva, estima-se que todas as armas atômicas dos cinco países que têm arsenais e são signatários do Tratado de Não-Proliferação (EUA, Rússia, Reino Unido, França e China) são dispositivos do tipo termonuclear.

A dúvida do teste de hoje é se o imprevisível regime 'juche' possui artefatos à altura das principais potências nucleares e se é capaz de miniaturizá-los para colocá-los sobre um míssil.

A Coreia do Norte insinua há anos avanços no desenvolvimento de sua tecnologia de fusão, mas, como disseram especialistas como Jeffrey Lewis, do Centro James Martin para a não-proliferação em Monterey, na Califórnia, garantir que construiu com sucesso uma bomba H "pareceria um pouco exagerado".

Logo depois de Kim Jong-un afirmar, em 10 de dezembro, que seu país tinha conseguido a bomba H, Lewis disse em artigo publicado no site especializado na Coreia do Norte, "38North", que fabricar um destes dispositivos requer uma "experiência em matéria de testes" que o país não tem, já que só pode considerar como "realmente bem-sucedida" o teste de 2013.

Uma possibilidade que embaralha as informações é a de Coreia do Norte estar testando combustíveis utilizados para a fusão - como o trítio, que poderia estar sendo obtido de seu reator de Yongbyon - para aumentar a potência explosiva de suas armas.

O teste de hoje gera tantas dúvidas como o suposto lançamento de mísseis desde um submarino que a Coreia do Norte garantiu ter feito em maio, e que se for verdade aumentaria de maneira alarmante o alcance dos projéteis de Pyongyang.

Mas, em todo caso, e embora a grande maioria dos especialistas continue a garantir que o regime dos Kim ainda está longe de montar ogivas nucleares sobre seus mísseis, é difícil crer que os testes nucleares e de mísseis que Pyongyang realiza periodicamente há quase duas décadas não estejam levando a avanço algum.

Independentemente de o país ter conseguido construir ou não uma bomba H, ou que este último teste seja avaliado como um sucesso ou um fracasso, a mensagem enviada hoje pela Coreia do Norte parece clara: o país pretende fabricar bombas nucleares cada vez mais potentes e para isso realizará os testes que forem necessários.

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