Presença de talibãs faz Afeganistão temer por segurança em Kunduz

Cabul, 6 jan (EFE).- A presença de talibãs em Kunduz, no norte do Afeganistão, provoca temor entre moradores e representantes das autoridades locais pela segurança da capital da província, que chegou a ser tomada pelos insurgentes há três meses, a maior conquista militar do grupo em 15 anos.

"Os talibãs estão ativos nas regiões de Kanam e Gortepa, nos arredores da cidade, e a situação da segurança não é boa", disse nesta quarta-feira à Agência Efe o porta-voz da Polícia na província, Hijratullah Akbari.

Os insurgentes se misturam entre a população local e utilizam as casas dos moradores da capital, que tem o mesmo nome da província, como escudos nas operações das tropas afegãs, explicou o porta-voz.

Akbari, porém, garantiu que os talibãs não têm capacidade para capturar a cidade ou outras regiões importantes da região, como ocorreu há cerca de três meses, no maior sucesso militar dos insurgentes desde o final de seu regime em 2001, após a invasão dos Estados Unidos ao país.

O deputado por Kunduz Abdul Wadoud Payman disse que os talibãs têm bases em três dos sete distritos de Kunduz e uma presença "encoberta" perto da capital que "realmente ameaça a segurança da cidade". Além disso, ele advertiu que os insurgentes contam com vários "simpatizantes" na cidade, que "estão esperando outra oportunidade para ajudá-los a capturá-la de novo".

"É complicado para os insurgentes atacar no inverno pela dificuldade de movimentação na neve e as baixas temperaturas. Mas, na primavera, eles começarão de novo com seus ataques", indicou.

"Desta vez eles estarão equipados com veículos armados e armas modernas que roubaram durante a queda de Kunduz, o que os tornará mais fortes na próxima primavera", alertou o deputado.

Um oficial de segurança em Kunduz, que pediu anonimato, afirmou que as tropas afegãs desenvolvem ofensivas terrestres e aéreas na província, nas quais a maior parte das bases importantes dos talibãs na região foi destruída. "A maioria dos veículos armados roubados foi destruída nos bombardeios", garantiu.

Os insurgentes tomaram no dia 28 de setembro do ano passado a cidade de Kunduz, que foi recuperada três dias depois por tropas afegãs com apoio aéreo dos Estados Unidos. A operação se estendeu depois para outras zonas da província e provocou a morte de pelo menos 289 pessoas e 559 feridos, segundo dados da ONU.

A província de Kunduz tem cerca de 1 milhão de habitantes, mais de um terço deles residentes na capital. E fica em uma região estratégica para as comunicações entre o centro e o norte do Afeganistão, e para o comércio com o Tadjiquistão.

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