AI pede que Washington e Londres pressionem Riad por violar direitos humanos

Londres, 8 jan (EFE).- A Anistia Internacional (AI) instou nesta sexta-feira (data local) os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos a que deixem de manter silêncio sobre as violações de direitos humanos que acontecem na Arábia Saudita e que pressionem o país árabe para que garanta seu cumprimento.

O comunicado é divulgado um dia antes do primeiro aniversário do linchamento público contra o blogueiro saudita Raif Badawi, um ativista condenado a 10 anos de prisão e a receber mil chicotadas por lutar a favor da liberdade de expressão.

A organização que trabalha pela proteção dos direitos humanos constatou que a repressão na Arábia Saudita se intensificou entre janeiro e novembro de 2015, quando as autoridades executaram 151 pessoas, o número mais alto que se registra no território desde 1995.

O diretor adjunto para o Oriente Médio e o Norte da África da AI, James Lynch, explicou que "aliados da Arábia Saudita como o Reino Unido e Estados Unidos deveriam usar esta estreita relação para pressionar o país árabe em público para que melhore seu histórico de direitos humanos".

"Seu silêncio, enquanto fornecem armas mortais à Arábia Saudita, é simplesmente insustentável", criticou Lynch.

A organização também sugere que os governos britânico e americano falem com o Executivo presidido pelo rei Salman bin Abdulaziz Al Saud a fim de que cumpra com a lei internacional em sua campanha militar no Iêmen.

Segundo afirmou a AI, os mais de cem ataques aéreos da coalizão saudita sobre o Iêmen, que começaram em março do ano passado, foram "frequentemente desproporcionais e indiscriminados e em muitas ocasiões dirigidos contra a população civil", o que ocasionou "crimes de guerra".

Apesar de que nas últimas eleições as mulheres puderam votar, a organização sustentou que o estado de maioria muçulmana sunita continua com sua "ampla ofensiva contra os direitos humanos".

Além do caso de Badawi, a AI lembrou que há dúzias de pessoas atrás das grades por "seu ativismo pacífico" e que no último dia 2 de janeiro as autoridades sauditas executaram em massa e de forma simultânea 47 pessoas condenadas por terrorismo, entre elas um clérigo xiita, a outra principal corrente do Islã junto ao sunismo.

Para a organização internacional, o país de Oriente Médio se vale desde 2014 de sua lei antiterrorista para "reprimir todas as formas de ativismo e condenar os culpados a morte", enquanto "executa opositores xiitas após submetê-los a julgamentos injustos".

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