Kerry diz que abordagem chinesa à Coreia do Norte não funcionou

Washington, 7 jan (EFE).- O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou nesta quinta-feira que a abordagem da China sobre a Coreia do Norte não funcionou e que a situação "não pode seguir como está" em Pyongyang depois do teste nuclear realizado ontem.

Kerry conversou com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e, em declarações aos jornalistas antes da coletiva diária dos porta-vozes de seu departamento, disse que ambos concordaram que as "coisas não podem seguir como estão" na Coreia do Norte.

"Em minha primeira viagem à China, eles me disseram que tinham um plano para a Coreia do Norte e demos espaço para que atuassem. Na conversa de hoje, disse que a abordagem sobre esse assunto não funciona e que as coisas não podem continuar como estão", explicou.

O secretário de Estado americano e o chefe da diplomacia chinesa acertaram que trabalharão juntos para determinar quais serão os próximos passos dos dois países diante da "preocupação crescente" depois da realização do teste nuclear por Pyongyang.

Perguntado se o governo dos EUA deixou a Coreia do Norte de lado nos últimos anos, Kerry respondeu taxativamente que não, acrescentando que foram realizados "encontros e consultas constantes" sobre o tema, inclusive com a China.

"Críticas nessa direção não tem fundamento", frisou Kerry.

Para Kerry, 2016 será um ano "extremamente ativo" na política externa com a região Ásia-Pacífico. E aproveitou a oportunidade para anunciar que o secretário-adjunto de Estado, Tony Blinken, visitará o local nos próximos dias.

Kerry também revelou que ele próprio viajará à região em breve para preparar a cúpula entre os EUA e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) que será realizada na Califórnia. Encontros sobre a situação da Coreia do Norte devem ser incluídos na agenda do secretário de Estado.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse em entrevista coletiva diária que a China tem mais influência do que qualquer outro país no regime norte-coreano.

Earnest disse que o governo americano está reunindo informações para saber que tipo de dispositivo foi detonado no teste nuclear de Pyongyang e trabalhando com outros países na ONU para responder à provocação, o que pode "incluir sanções econômicas adicionais" contra a Coreia do Norte.

"O único caminho para o regime norte-coreano, mais isolado do que nunca, é se comprometer com a desnuclearização e pôr fim às atividades provocadoras", disse Earnest.

O porta-voz da Casa Branca revelou, além disso, que não houve diálogo com a Coreia do Sul sobre a possível instalação de um sistema de defesas antimísseis na região.

A magnitude da explosão registrada ontem na Coreia do Norte, inferior ao último teste nuclear realizado no país em 2013, faz com que seja "pouco provável" que se trate de uma bomba de hidrogênio, como garante Pyongyang, indicou hoje um dirigente da ONU em Viena.

O secretário-executivo da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO), Lassina Zerbo, ressaltou que a magnitude da detonação foi de 4,85 pontos na escala Richter, frente aos 4,9 pontos de três anos atrás.

Isso indicaria, segundo disse o responsável da CTBTO à imprensa, que esta "detonação feita por humanos" não foi o que dizem as autoridades norte-coreanas, que falam de uma bomba de hidrogênio. EFE

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