Nova York muda revisão de operações antiterroristas para evitar preconceito

Nova York, 7 jan (EFE).- As autoridades da cidade de Nova York decidiram aceitar a presença de um advogado independente no comitê que revisa as atuações antiterroristas da polícia local para evitar preconceitos religiosos.

A decisão foi tomada após um acordo firmado pela prefeitura de Nova York para encerrar duas ações judiciais abertas pela comunidade muçulmana, que se sentia prejudicada por uma vigilância especial por sua religião.

"Os muçulmanos que residem na cidade de Nova York são firmes parceiros na luta contra o terrorismo. Esse acordo representa um importante passo para construir nossa relação com a comunidade muçulmana", disse o prefeito Bill de Blasio em comunicado.

Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, representantes muçulmanos se queixam de medidas de vigilância especial em bairros predominantemente habitados por membros da comunidade. Além disso, eles alegam que são mais frequentemente abordados por policiais verificando seus documentos e que as mesquitas passaram a ser alvo de batidas para prevenir futuros ataques.

De acordo com ativistas de direitos humanos, esse tipo de procedimento violam as disposições constitucionais por estarem dirigidos a determinadas pessoas por motivos religiosos.

O advogado independente que integrará o comitê encarregado de supervisionar as operações será escolhido pelo prefeito e ocupará o posto por um mínimo de cinco anos, informou o Departamento de Polícia de Nova York em comunicado. As investigações, no entanto, seguirão sob responsabilidade do chefe de Inteligência e Antiterrorismo da Polícia.

Além dessa medida, o acordo judicial inclui outras disposições, como a atualização das práticas policiais. Também será deletado do site da Polícia de Nova York um relatório chamado como "Radicalização no Ocidente".

Ativistas de direitos humanos avaliaram positivamente as disposições adotadas hoje.

"Este acordo é importante, levando em conta a escalada da retórica contra os muçulmanos e os crimes de ódio nos Estados Unidos", afirmou a organização Defesa dos Muçulmanos e o Centro pelos Direitos Constitucionais.

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