Seul, Tóquio e Washington se unem perante desafio nuclear de Pyongyang

Seul, 7 jan (EFE).- Os líderes regionais criticaram nesta quinta-feira com dureza a Coreia do Norte por seu teste nuclear e apostaram por uma resposta contundente e coordenada a suas provocações e por buscar novas sanções da ONU para Pyongyang.

Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos tomaram a iniciativa de liderar a reação da comunidade internacional um dia depois do novo teste nuclear anunciado pela Coreia do Norte, o primeiro supostamente realizado por este país com uma bomba de hidrogênio.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e o presidente de EUA, Barack Obama, mantiveram hoje uma conversa telefônica na qual apostaram por ações concretas e coordenadas em nível internacional para enviar uma mensagem clara ao regime de Kim Jong-un, para que cesse com seus testes atômicos e de mísseis.

Obama afirmou que o teste nuclear norte-coreano é uma ameaça para a região e para a comunidade internacional e recalcou o compromisso dos Estados Unidos para garantir a segurança de todos seus aliados, disseram fontes do Executivo japonês à agência japonesa "Kyodo".

O presidente americano também tratou o tema com sua colega sul-coreana, Park Geun-hye, que garantiu que a Coreia do Sul fará o Norte pagar "um preço correspondente" ao teste nuclear.

Park anunciou que promoverá que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adote uma resolução "firme" perante a última atuação do país vizinho e imponha "fortes sanções", segundo recolheu a agência local "Yonhap".

Ambos líderes concordaram que as ações da Coreia do Norte constituem "uma nova violação de suas obrigações e compromissos com a lei internacional" e as anteriores resoluções neste terreno do Comitê de Segurança da ONU.

A nova amostra de poder de Pyongyang suscitou a condenação de vários governos, e inclusive de Pequim -principal aliado do regime de Kim Jong-un- e de Moscou, que tinha aumentado nos últimos anos a cooperação com Pyongyang após duas décadas de estagnação.

O Executivo chinês expressou sua "firme oposição" ao teste após se mostrar mais moderado nos anteriores teste nucleares de Pyongyang de 2006, 2009 e 2013, e, segundo publicaram os meios de comunicação nacionais, chamou para consultas o embaixador da Coreia do Norte em Pequim, Ji Jae ryong, para pedir explicações.

Washington, Tóquio e Seul solicitaram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, organismo que anunciou a adoção de "medidas significativas" contra Coreia do Norte, embora não esclareceu se haverá sanções adicionais às que estão vigentes há uma década.

Além disso, continuam as dúvidas sobre se a Coreia do Norte conseguiu realmente desenvolver e detonar com sucesso uma bomba H (também chamada termonuclear ou de hidrogênio), uma arma mais potente do que os dispositivos usados em seus três testes anteriores.

Detectores sísmicos de todo o mundo registraram na terça-feira um tremor de 5,1 graus que aponta para um teste atômico subterrâneo na Coreia do Norte, e que alcançou uma intensidade similar ou ligeiramente inferior ao realizado em 2013.

A explosão que originou o terremoto aconteceu a uma maior profundidade subterrânea do que os três testes prévios, na zona montanhosa onde fica o Centro de Testes Nucleares de Punggye-ri (nordeste do país), segundo um relatório do centro sismológico norueguês Norsar.

Por isso, este centro de pesquisa independente considera que existem "menos possibilidades" de que ocorram fugas radioativas e que será mais difícil determinar o tipo de arma testada.

A explosão registrada teve uma potência de 10 quilotons de TNT, próxima ao das bombas atômicas usadas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945, mas muito abaixo das armas termonucleares, acrescenta o relatório da Norsar.

No mesmo sentido, a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão (NRA) anunciou hoje que não detectou variações nos níveis de radioatividade no ar, a partir de amostras recolhidas por aviões a uma altura de entre 3 e 10 quilômetros sobre o Japão.

O achado no ar de restos de materiais radioativos ofereceria informação sobre a natureza do teste nuclear, embora no último teste atômico norte-coreano de 2013, não tenha sido encontrado nenhum rastro deste tipo.

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