TransCanada aciona governo dos EUA por bloquear construção de oleoduto

Toronto (Canadá), 6 jan (EFE).- A empresa canadense TransCanada anunciou nesta quarta-feira que apresentou um processo contra o governo dos Estados Unidos, e que recorrerá ao Capítulo 11 do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), por barrar a construção do polêmico oleoduto Keystone XL.

A TransCanada disse em comunicado que avalia em US$ 15 bilhões o prejuízo provocado pela recusa do governo americano em aprovar a construção do oleoduto para transportar petróleo das reservas canadenses para as refinarias americanas no Golfo do México.

Segundo a TransCanada, a empresa apresentou uma ação no Tribunal Federal de Houston "afirmando que a decisão do presidente (Barack Obama) de negar a construção de Keystone XL extrapola suas competências segundo a Constituição dos Estados Unidos".

Ao recorrer ao Capítulo 11 do Nafta, "a TransCanada buscará recuperar mais de US$ 15 bilhões em custos e danos sofridos pela ruptura das obrigações, determinadas pelo tratado, por parte do governo americano", acrescentou a empresa canadense.

As ações legais da TransCanada contra os Estados Unidos acontecem dois meses depois que o presidente Barack Obama barrou a construção do oleoduto por entender que o mesmo não servia aos interesses nacionais.

Tanto no Canadá como nos Estados Unidos, vários grupos ambientais e organizações indígenas se opuseram à construção de Keystone XL por considerarem que o oleoduto proporcionaria o maior desenvolvimento da exploração de petróleo nas areias betuminosas canadenses.

A exploração de petróleo nas jazidas do Canadá, que tem a terceira maior reserva do mundo depois de Arábia Saudita e Venezuela, está entre as atividades mais poluentes do planeta.

Hoje, um grupo de ecologistas e organizações indígenas canadenses emitiu um comunicado no qual chamou de "chilique corporativo" as ações legais da TransCanada contra o governo dos EUA.

O veto de Obama à construção de Keystone XL foi o resultado de sete anos de tensões entre Estados Unidos e Canadá pelo projeto do oleoduto.

Durante esse período, o governo anterior do Canadá, sobe a batuta do primeiro-ministro conservador Stephen Harper, um grande lobista do setor petroleiro, passou a afirmar que Keystone XL seria construído sem problemas e a ameaçar os EUA pelo atraso em aprovar o projeto.

Harper tentou pressionar Obama declarando que venderia o petróleo à China se os EUA não aprovassem a construção de Keystone XL, um oleoduto de 1.900 quilômetros de extensão.

Posteriormente, o Canadá comprou espaços publicitários nos meios de comunicação dos Estados Unidos para tentar convencer o público americano a pressionar Obama a aceitar a aprovação de Keystone XL. EFE

jcr/rpr

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