Uruguai e Argentina aparam arestas e abrem nova era em suas relações

Rodrigo García Melero.

Montevidéu, 7 jan (EFE).- A reunião e o almoço particular que tiveram nesta quinta-feira os presidentes do Uruguai e da Argentina, Tabaré Vázquez e Mauricio Macri, foi além de uma simples reunião de colegas à frente de países vizinhos e permitiu dar um passo gigante para estreitar vínculos após vários anos de diferenças bilaterais.

"Chegou a hora de superar os desencontros do passado e olhar juntos rumo ao destino comum que sempre tivemos", escreveu Macri no Twitter pouco depois de concluir sua reunião no Uruguai com seu homólogo do outro lado do rio da Prata.

Após chegar de helicóptero no meio da tarde e liderando uma delegação integrada, entre outros, por sua chanceler, Susana Malcorra, Macri foi recebido por Vázquez e uma guarda de honra na Residência de Anchorena, ao sudoeste do país, que no meio da natureza faz as vezes de casa de férias presidencial.

Com ambos com camisa de manga curta e sem gravata, a reunião que lhes uniu não estava isenta de grandes expectativas desde que no dia seguinte que Macri venceu o segundo turno das eleições de novembro do ano passado, Vázquez disse que seu colega tinha transmitido sua mais "firme disposição" para trabalhar com o Uruguai para superar as diferenças bilaterais dos últimos anos.

Estas viveram seu pior momento durante o primeiro governo de Vázquez (2005-2010) e os argentinos Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), pela oposição da Argentina à instalação de uma fábrica de celulose de capital finlandês em território uruguaio, junto ao fronteiriço rio Uruguai.

Tamanho foi o conflito que derivou em um julgamento frente à Corte Internacional Justiça (CIJ) de Haia, que em 2010 determinou que a fábrica não contamina, ao contrário do que diziam as autoridades argentinas, embora tenha assinalado que o Uruguai não informou devidamente a seu vizinho como exigiam os acordos bilaterais.

No entanto, com a chegada do conservador Macri ao poder, tudo indica que as diferenças do passado com o governo do bloco de esquerda uruguaio Frente Ampla vão ficando para trás pouco a pouco.

Tanto é que esta foi a primeira viagem do presidente argentino para sustentar uma reunião bilateral após assumir o poder no último 10 de dezembro, o que mereceu o agradecimento por parte de seu colega, que também elogiou a "simpatia e empatia" de seu "querido amigo Macri" com o povo uruguaio.

"Queria que retomássemos vínculos históricos que tivemos, onde todos temos claro que somos dois povos unidos pela história, pelo afeto e que temos um futuro a compartilhar", disse por sua parte o chefe de Estado argentino em pronunciamento coletivo conjunto que não foi aberto a perguntas.

É por isso que apostou pelo trabalho conjunto entre os dois povos em prol de que ambos tenham "mais oportunidades".

Questões de comércio bilateral, da dragagem do rio da Prata e do rio Uruguai, novas vias de comunicação entre ambos países e troca energética foram parte, entre outros assuntos, das conversas desta cúpula uruguaio-argentina.

Os dois chefes de Estado estabeleceram a criação de um laboratório de controle ambiental de última geração que não só sirva para o apoio mútuo, mas também para outros países do Mercosul e a região, assim como a elaboração de um plano binacional de política portuária.

A respeito disto, Macri rotulou como "não muito feliz" um decreto que que em 2013 foi assinado pelo Executivo de sua antecessora Cristina Kirchner que impedia os transbordos de carga em portos do Uruguai e que afetou, segundo o atual presidente, o funcionamento dos portos uruguaios e também o dos argentinos.

Neste sentido, Macri considerou como "muito valiosas" as novas iniciativas neste campo, entre as quais se encontra a derrogação, ontem, desse decreto, e garantiu que fará com que funcionem melhor os portos dos dois países.

No entanto, o acordo que mais surpreendeu e demonstrou a afinidade dos dois governantes, que têm em comum um passado como dirigentes futebolísticos, foi o anúncio da apresentação de uma candidatura conjunta para organizar a Copa do Mundo de 2030, quando se completarão 100 anos da competição, cuja primeira edição foi realizada em território uruguaio.

"Espero estar outra vez em breve neste lugar maravilhoso. O presidente me disse que venha de visita desfrutar com a família quando puder. Levei o convite muito a sério", concluiu Macri, que ao término do encontro partiu de novo para a Argentina.

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